Governo de Minas troca comando após rompimento entre Simões e Aro

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez Política
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Castellar Neto e mais 20 comissionados deixam a Secretaria de Governo um dia depois de Marcelo Aro romper a aliança com o governador Mateus Simões

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), exonerou nesta sexta-feira (31/7) o secretário de Governo, Castellar Neto (PP), considerado o principal auxiliar do ex-titular da pasta, Marcelo Aro (PP). A saída ocorre um dia depois de Aro comunicar ao governador que romperia a aliança política que os unia, movimento que abre espaço para uma possível candidatura do ex-secretário ao Palácio Tiradentes nas eleições deste ano. otempo

Além de Castellar Neto, outras 20 pessoas ligadas à Secretaria de Governo também foram desligadas da equipe. Quem assume o comando da pasta é Juliano Fisicaro Borges, que até então ocupava o cargo de secretário adjunto. A movimentação chama atenção pelo tamanho da equipe trocada de uma só vez, em plena reta final de montagem das chapas para outubro. otempo

O desligamento é consequência direta de uma reunião realizada na quinta-feira (30/7), quando Aro se encontrou com Simões para comunicar a saída de seu grupo político do governo estadual. A conversa marcou o fim de um período de parceria que já durava alguns anos e que atravessou, inclusive, a gestão anterior. otempo

Trajetória de Aro no governo mineiro

Aro não é uma figura qualquer no organograma do Executivo mineiro. Ele fez parte do segundo mandato de Romeu Zema (Novo) como secretário da Casa Civil e, desde o ano passado, ocupava a Secretaria de Governo, pasta estratégica por concentrar a articulação com o Legislativo estadual. Foi justamente esse capital político acumulado que alimentou os rumores sobre uma candidatura própria ao governo.

Em março deste ano, Aro havia deixado a secretaria para viabilizar uma pré-candidatura ao Senado, mas manteve influência sobre a pasta por meio de Castellar Neto, apontado como seu homem de confiança. A expectativa, até então, era de que ele ocupasse uma vaga na chapa majoritária de Simões, que tentará a reeleição neste pleito.

O racha, no entanto, foi se desenhando havia semanas. Aro demonstrava insatisfação com a possível presença do senador Carlos Viana (PSD) na mesma chapa, já que Viana também buscará a reeleição para a Câmara Alta. Paralelamente, o nome de Aro ganhou força nos bastidores como opção de candidato a governador pela federação União-PP em Minas Gerais, o que tornou a convivência dentro do governo cada vez mais desgastada. otempo

Disputa pela chapa acelerou a ruptura

Em comunicado enviado à imprensa, Simões afirmou que Aro relatou estar negociando havia algumas semanas sua candidatura ao governo do estado e que já deveria esperar por essa movimentação, dada a insatisfação com Carlos Viana na chapa. O governador também reconheceu ter sido pego de surpresa pela forma como o desentendimento se consumou, classificando o episódio como uma decepção pessoal, já que Aro havia sido seu aluno. otempo

A crise não fica restrita à Secretaria de Governo. Reportagens do mesmo dia indicam que partidos que vinham sendo priorizados por Zema na articulação política começaram a se afastar do palanque de Simões, esvaziando parte do apoio que o governador vinha tentando consolidar para a disputa de outubro. O momento é sensível porque coincide com o período de convenções partidárias, que se estende de 20 de julho a 5 de agosto em todo o país.

É justamente nesse contexto de convenções que outros movimentos na política mineira ganham força. Em Belo Horizonte, a legenda Mobiliza (antigo PMN) realizou nesta quinta-feira sua convenção estadual com uma estratégia pouco convencional: em vez de buscar nomes com grande capilaridade eleitoral, o partido decidiu apostar em pré-candidatos capazes de vencer com votações mais enxutas.

Convenções partidárias aumentam pressão em Minas

O presidente estadual da sigla, Agnaldo Ratinho, chegou a afirmar que pretende eleger deputados estaduais com até 20 mil votos, argumentando que partidos pequenos não competem em tempo de televisão nem em fundo partidário, mas podem competir em organização. Em 2022, o então PMN já havia surpreendido ao conquistar três cadeiras na Assembleia Legislativa com esse tipo de engenharia eleitoral.

Enquanto isso, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais encerrou o primeiro semestre de trabalhos em clima de expectativa para a retomada de agosto. A Casa aprovou, ainda em julho, a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2027, que projeta déficit bilionário para o próximo ano, e entrou em recesso parlamentar entre os dias 19 e 31 do mês, com retorno previsto para o dia 3 de agosto, já em meio ao calor das convenções.

O desenrolar dos próximos dias deve ser decisivo para o desenho final das chapas em Minas. Com o rompimento entre Simões e Aro consumado, resta saber se o ex-secretário seguirá isolado ou se encontrará abrigo em outra federação partidária disposta a viabilizar sua candidatura ao governo estadual, cenário que reconfiguraria de forma significativa a disputa pelo Palácio Tiradentes em outubro.