Nova gestão da companhia de saneamento aposta em recursos do mercado financeiro para acelerar universalização de água e esgoto no estado
Privatização foi concluída em cerimônia na B3
Pouco mais de um mês depois de concluída a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa já projeta um novo ciclo de investimentos que pode transformar a prestação do serviço de água e esgoto em centenas de municípios mineiros. Segundo a nova gestão da empresa, os investimentos podem chegar a R$ 40 bilhões nos próximos anos, somando recursos próprios da companhia e captações no mercado financeiro. O TEMPO
O processo de desestatização foi concluído em cerimônia realizada na Bolsa de Valores B3, em São Paulo, no dia 16 de junho. A oferta pública de ações movimentou R$ 8,38 bilhões, com preço final de R$ 49,03 por ação, e envolveu a venda de ações ordinárias correspondentes a 45% do capital social da companhia. Agência Minas Gerais
O Grupo Equatorial Energia passou a deter 30% do capital total da Copasa, em uma operação avaliada em R$ 5,59 bilhões, tornando-se o investidor de referência responsável por conduzir a gestão, as diretrizes e o modelo de governança da empresa a partir de agora. Investidores institucionais ficaram com 10,5% das ações, movimentando R$ 1,96 bilhão, enquanto 4,5% do capital social foi adquirido por investidores de varejo, com R$ 838,9 milhões negociados. Tribuna de Minas
Estado mantém participação e poder de veto
O governo de Minas Gerais, antigo controlador da companhia, manteve uma fatia estratégica na operação. O estado permanece com 5% das ações, além de uma ação de classe especial, conhecida como Golden Share, que garante poder de veto sobre decisões relacionadas ao nome, à sede e ao limite de votos da empresa. Pelas regras definidas no processo, o governo mineiro ficou impedido de vender as ações remanescentes durante os primeiros noventa dias após a assinatura da operação. Tribuna de Minas
Para o governador Mateus Simões, o resultado financeiro da venda comprova o acerto da decisão de privatizar a companhia. Segundo ele, a operação movimentou R$ 8,38 bilhões e obteve extremo sucesso do ponto de vista do mercado financeiro, com a empresa sendo vendida por um valor 380% superior ao que tinha na véspera das eleições de 2018. O governador reforçou ainda que os serviços prestados à população seguem normalmente, sem alterações nas tarifas cobradas dos consumidores. Tribuna de Minas
A mudança de controle não deve alterar aspectos simbólicos da companhia. As mudanças acionárias não vão alterar a localização da sede da Copasa, que permanece em Belo Horizonte, nem o nome da empresa, que continua sendo Copasa. O que muda, segundo a nova diretoria, é a agilidade na tomada de decisões e na execução de obras, já que a companhia deixa de operar sob as amarras burocráticas típicas de uma estatal de economia mista. O TEMPO
Investimentos miram metas do marco do saneamento
O plano de investimentos já tem números definidos para o curto e médio prazo. Estão previstos aportes da ordem de R$ 21 bilhões entre 2026 e 2030, recursos que virão parte da geração de caixa da própria companhia e parte de captações realizadas no mercado financeiro. A meta é acelerar obras de expansão da rede de água e esgoto em regiões do estado que ainda não contam com cobertura adequada. O TEMPO
Esse ritmo de investimento está diretamente ligado a uma exigência legal. O Novo Marco Legal do Saneamento Básico, sancionado em 2020, estabelece metas de universalização para todo o país: 99% de atendimento com água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033. Municípios que não têm recursos próprios para cumprir esse cronograma encontraram na entrada de capital privado uma alternativa viável para não ficar para trás no calendário federal.
A adesão dos municípios mineiros ao novo modelo de gestão da Copasa não é automática. Pelas regras definidas no processo de desestatização, as prefeituras atendidas pela companhia têm até setembro deste ano para formalizar sua adesão à nova estrutura societária, prazo que a empresa considera fundamental para dar previsibilidade ao cronograma de obras já planejado.
Expectativa é de efeitos práticos ainda em 2026
A atual presidente da Copasa, Marília Melo, tem defendido publicamente que a mudança representa uma oportunidade de profissionalização da gestão da companhia. Em entrevista recente, ela afirmou que a decisão do governo de Minas buscou eliminar barreiras que limitavam a capacidade de investimento da empresa, acelerando o cumprimento das metas de universalização e reduzindo entraves burocráticos herdados do antigo modelo estatal.
Na prática, a expectativa é que os mineiros comecem a perceber os efeitos dessa mudança já nos próximos meses, com o avanço de obras de expansão e revitalização de redes em diferentes regiões do estado. O sucesso desse plano, porém, dependerá da capacidade da nova gestão de equilibrar a captação de recursos privados com a manutenção da qualidade do serviço público essencial que a Copasa presta a mais de seiscentos municípios mineiros.
Se os aportes previstos se confirmarem, Minas Gerais pode se tornar um dos principais casos de referência no país sobre como a entrada de capital privado no saneamento básico pode acelerar metas que, sob gestão exclusivamente estatal, dificilmente seriam cumpridas dentro do prazo definido pela legislação federal.
Fontes:
O TEMPO: Investimentos da Copasa podem chegar a R$ 40 bilhões
Agência Minas: Governo de Minas conclui processo de desestatização da Copasa e abre novo ciclo para o saneamento
Tribuna de Minas: Desestatização da Copasa é concluída em cerimônia na Bolsa de Valores de SP; entenda