Ferramentas de IA e espaços de fabricação digital, como o Lab Aberto em Belo Horizonte, estão mudando a forma como artesãos e pequenos empreendedores mineiros produzem e vendem
A produção artesanal em Minas Gerais, tradicionalmente associada a feiras e oficinas físicas, vive uma transformação impulsionada pelo comércio eletrônico e por ferramentas de inteligência artificial. Levantamento do Sebrae mostra que os canais digitais já respondem por 49% do faturamento de micro e pequenos negócios de artesanato e turismo, percentual que sobe para 55% quando se considera todo o ecossistema da economia criativa.
Essa mudança de comportamento comercial tem um motor claro: a adoção de soluções de inteligência artificial. De acordo com os mesmos dados, 56% dos empreendedores mineiros já utilizam ferramentas de IA para otimizar o atendimento automatizado ao cliente, criar catálogos de produtos e analisar o comportamento de consumidores em redes sociais.
Da fotografia ao modelo de negócio
Segundo Márcia Andrade, gerente de economia criativa do P7 Criativo, em Belo Horizonte, essa transição começou de forma gradual, quando pequenos produtores passaram a aprender técnicas simples de fotografia de produto, agilidade nas respostas a clientes e organização de pedidos por canais digitais que já faziam parte da rotina do consumidor.
Com o tempo, essas ferramentas deixaram de ser apenas um apoio pontual e passaram a integrar o próprio modelo de negócio dos pequenos empreendedores mineiros. A inteligência artificial hoje participa da criação de descrições de produtos, do planejamento de postagens em redes sociais e da leitura de preferências de público, o que pode representar economia de tempo e mais competitividade para quem tem uma operação pequena.
Fabricação digital ganha espaço na capital
Além das soluções de software, a fabricação digital também tem encurtado a distância entre a ideia e o produto final. Recursos como modelagem assistida por computador, corte a laser e impressão 3D permitem que pequenos artesãos testem protótipos antes de investir em produção em maior escala. Em Belo Horizonte, essa estrutura está concentrada no Lab Aberto, laboratório instalado no P7 Criativo.
O espaço conta com maquinário de usinagem e bancadas de eletrônica voltadas à automação, atendendo desde grandes indústrias até pequenos artesãos que precisam validar sistemas ou fabricar lotes reduzidos de produtos com design exclusivo antes de avançar para a escala comercial. Segundo Luiz Santa Cecília, gestor do Lab Aberto, o diferencial do local está no atendimento técnico especializado, adaptado às necessidades específicas de cada cliente, o que agiliza o ciclo de desenvolvimento das empresas e reduz custos de validação no mercado.
Um movimento que reflete o cenário nacional
O avanço da inteligência artificial entre pequenos negócios mineiros acompanha uma tendência observada em todo o país, com o setor de tecnologia identificando cada vez mais aplicações práticas de IA voltadas à eficiência operacional, e não apenas a grandes corporações. Minas Gerais tem buscado se posicionar nesse cenário também por meio de eventos voltados à inovação, que reúnem startups, investidores e representantes de setores tradicionais da economia mineira, como mineração, siderurgia e agronegócio, ao lado de empresas puramente digitais.
Para quem administra um pequeno negócio no estado, a recomendação de especialistas do setor costuma ser começar de forma gradual: testar ferramentas gratuitas ou de baixo custo para atendimento automatizado, organizar um catálogo digital simples e, à medida que o negócio cresce, avaliar parcerias com espaços de fabricação digital, como o Lab Aberto, para validar produtos antes de ampliar a produção.
A combinação entre inteligência artificial aplicada à gestão comercial e infraestrutura de prototipagem física sinaliza um caminho de profissionalização para o setor artesanal e criativo mineiro, que historicamente dependia quase exclusivamente de feiras presenciais e vendas diretas para sobreviver no mercado.
Fontes:
O TEMPO
Agência Minas Gerais