Belo Horizonte recebe etapa mineira do AI Executive Summit e reforça posição como polo de tecnologia

Daphne Vercelli
Por Daphne Vercelli Tecnologia
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 Cidade ocupa a segunda posição entre os polos com mais startups do Brasil e concentra 42% dos negócios de base tecnológica do estado

Belo Horizonte consolidou, nas últimas semanas de agosto, sua posição como um dos principais destinos do país para debates sobre inteligência artificial e inovação. A capital mineira recebeu, em 20 de agosto, a etapa local do AI Executive Summit Brasil 2026, roadshow que já passou por cidades como Ribeirão Preto, Recife, Fortaleza e Rio de Janeiro, reunindo executivos e especialistas para discutir os rumos da inteligência artificial nos negócios. O evento ocorreu na Localiza Labs, espaço de inovação vinculado a uma das maiores empresas mineiras do setor de mobilidade.

A escolha de Belo Horizonte para sediar uma das etapas do roadshow nacional reforça o protagonismo da cidade no ecossistema tecnológico brasileiro. Berço do San Pedro Valley, primeira comunidade de startups organizada do país, a capital mineira ocupa hoje a segunda posição entre os polos com maior número de startups do Brasil, atrás apenas de São Paulo, segundo dados apresentados durante o evento.

 

Por que Belo Horizonte se tornou um polo relevante de inovação

O estado de Minas Gerais reúne, ao todo, cerca de 1,4 mil startups e empresas de base tecnológica, que juntas empregam mais de 36 mil profissionais, de acordo com levantamento da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG). Desses negócios, 42% estão instalados em Belo Horizonte, o que posiciona o município como o terceiro maior polo de negócios inovadores do país, atrás de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O reconhecimento também aparece em rankings internacionais. O Global Tech Ecosystem Index 2025, elaborado pela consultoria Dealroom.co, posicionou Belo Horizonte como o quarto ecossistema de tecnologia que mais cresce no mundo, e o primeiro da América Latina na categoria dedicada a ecossistemas emergentes, avaliação que leva em conta métricas como crescimento no valor de mercado das empresas, volume de startups em expansão, criação de unicórnios e maturidade dos fundos de investimento locais atuantes na região.

 

O que caracteriza o ecossistema de startups da capital mineira

Minas Gerais reúne cerca de 780 startups concentradas majoritariamente na região metropolitana de Belo Horizonte, ecossistema que já formou empresas hoje reconhecidas nacionalmente, como Hotmart, Sympla e Méliuz. A cidade também abriga um escritório de engenharia do Google desde 2005, presença que ajudou a consolidar a região como destino de investimento em tecnologia ao longo das últimas duas décadas.

Durante a etapa mineira do AI Executive Summit, um dos temas centrais dos debates foi a transição da inteligência artificial de tendência para estratégia consolidada de negócio dentro das empresas mineiras. Segundo Guilherme Friol, CEO da Vircos Tecnologia e um dos participantes do evento, esse potencial só se realiza de forma plena quando a infraestrutura tecnológica das organizações está preparada para lidar com grandes volumes de dados e processamento intenso, o que exige investimento contínuo em capacidade computacional e em times especializados.

 

Quais outros eventos reforçam a agenda de inovação em Minas Gerais

A movimentação em torno da tecnologia na capital mineira não se limita ao AI Executive Summit. Belo Horizonte também recebe, ao longo do segundo semestre, o Fórum Brasileiro de Deep Techs 2026, iniciativa que percorre cidades como Santarém, Porto Alegre, Goiânia e Salvador, além da capital mineira, e que busca conectar ciência e mercado dentro do ecossistema de inovação de cada região visitada. Em Belo Horizonte, o debate se concentra em como transformar o potencial científico e a cultura empreendedora já consolidada da cidade em soluções tecnológicas escaláveis para todo o país.

Além disso, o setor de mineração, historicamente relevante para a economia mineira, também tem incorporado a pauta da inovação tecnológica em seus principais eventos. A Exposibram 2026, feira do setor realizada no Expominas entre 24 e 27 de agosto, reuniu debates sobre geopolítica, segurança e inovação na mineração, com participação de grandes empresas do setor apresentando tecnologias como óculos de realidade virtual para acompanhamento de processos produtivos, o que evidencia como a transformação digital tem avançado também em setores tradicionais da economia do estado.

Com um calendário de eventos que combina inteligência artificial, deep techs e inovação aplicada à indústria tradicional, Belo Horizonte segue reforçando, ao longo de 2026, sua posição como um dos principais polos tecnológicos do Brasil, atraindo tanto grandes empresas quanto novas startups interessadas em se conectar a um ecossistema já maduro e reconhecido nacional e internacionalmente.

Fontes: