ASUR conclui compra de 20 aeroportos da Motiva por R$ 11,5 bilhões e passa a administrar o terminal de aviação executiva de Belo Horizonte
O setor aeroportuário de Minas Gerais ganhou um novo protagonista nesta semana. A empresa mexicana ASUR (Grupo Aeroportuario del Sureste) concluiu, nesta quinta-feira (3), a compra da plataforma de aeroportos que pertencia à Motiva, antiga CCR. Com o negócio fechado, a companhia passa a administrar o Aeroporto da Pampulha, na capital mineira, e assume a participação que a Motiva detinha no bloco privado da BH Airport, responsável pela operação do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins.
A transação, avaliada em R$ 11,5 bilhões, envolve 20 terminais no total, sendo 17 no Brasil e três no exterior. Do valor total, R$ 5 bilhões correspondem ao patrimônio líquido das operações e outros R$ 6,5 bilhões dizem respeito às dívidas líquidas vinculadas ao negócio. Além de Minas Gerais, a rede adquirida pela ASUR inclui aeroportos em Curitiba, Foz do Iguaçu, Goiânia, São Luís, Teresina, Palmas, Petrolina, Imperatriz, Bagé, Pelotas, Uruguaiana, Londrina e nos terminais de Santa Catarina, como Navegantes e Joinville.
Como o negócio foi construído
A venda da Pampulha e da fatia em Confins não é uma decisão recente. A Motiva já vinha sinalizando, desde o fim do ano passado, a intenção de se desfazer de ativos aeroportuários para concentrar investimentos em rodovias e ferrovias. O processo atraiu o interesse de mais de vinte grupos internacionais vindos da Europa, da Ásia e da América Latina, o que reforça o peso dos terminais mineiros no cenário global de infraestrutura e logística.
O Aeroporto da Pampulha, batizado oficialmente de Carlos Drummond de Andrade, havia sido arrematado pela então CCR em 2021, por R$ 34 milhões, em leilão realizado na B3. Já a participação em Confins remonta a 2013, quando o consórcio formado pela CCR, pela Zurich Airport e pela Infraero venceu a concessão por R$ 1,82 bilhão. Ao longo da última década, o terminal passou por sucessivas obras de modernização e ampliação de malha aérea.
O que muda para passageiros e trabalhadores
Apesar da conclusão da compra, a rotina nos dois terminais não sofre alterações imediatas. A Motiva segue responsável pela administração operacional durante o período de transição, mantendo o quadro atual de colaboradores e o cumprimento dos contratos e investimentos já previstos. A expectativa do setor é que a integração plena das operações à rede da ASUR ocorra de forma gradual, ainda dependendo de validações complementares junto a órgãos reguladores.
Para o passageiro que utiliza a Pampulha, especializada em aviação executiva, e o público que embarca em Confins, principal porta de entrada aérea de Minas Gerais, a expectativa é de continuidade dos serviços sem interrupções. O histórico da ASUR em outros mercados das Américas, onde já opera terminais de grande porte, é apontado por analistas do setor como um indicativo de investimento futuro em infraestrutura e ampliação de rotas.
Uma rede que cresce pelo país
Com a aquisição, a ASUR passa a ter participação em 17 aeroportos espalhados pelas cinco regiões brasileiras. Somando a rede recém-adquirida aos ativos que já administrava em outros países das Américas, incluindo operações no mercado dos Estados Unidos, a companhia mexicana consolida presença relevante no setor aeroportuário continental. Os terminais que agora compõem a rede movimentaram, em 2025, mais de 48 milhões de passageiros, um crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior.
Em Minas Gerais, o movimento reforça a relevância do estado no mapa da aviação nacional. Confins concentra voos nacionais e internacionais, enquanto a Pampulha mantém sua vocação histórica de atender a aviação regional e executiva, funções que devem ser preservadas na nova fase de gestão. A chegada de um operador internacional também é vista por representantes do setor de turismo de negócios como um fator que pode estimular novas conexões aéreas para a capital mineira.
Próximos passos da transição
A conclusão definitiva de todos os trâmites regulatórios, incluindo eventuais manifestações de órgãos de defesa da concorrência, deve se estender ao longo dos próximos meses. Até lá, a coexistência entre a estrutura herdada da Motiva e a nova gestão da ASUR deve ser acompanhada de perto por autoridades estaduais e pela própria BH Airport, consórcio que administra Confins em parceria com outros acionistas.
Para o mercado mineiro de infraestrutura, a movimentação confirma uma tendência observada nos últimos anos: a chegada de capital estrangeiro para operar ativos estratégicos do estado, do setor aéreo à mineração. A repercussão da mudança de controle deve seguir pautando o noticiário econômico de Minas Gerais nas próximas semanas, à medida que detalhes sobre planos de investimento e eventuais expansões forem divulgados pela nova controladora.
Fontes consultadas:
- https://pordentrodeminas.com.br/noticias/gerais/2026/09/asur-compra-pampulha-e-participacao-em-confins-apos-acordo-de-r-115-bilhoes/
- https://ndmais.com.br/transportes/gigante-mexicana-com-operacoes-no-terminal-de-nova-iorque-assume-aeroporto-de-sc-apos-negocio-de-r-51-bilhoes/
- https://www.em.com.br/economia/2025/11/7296200-aeroportos-da-pampulha-e-de-confins-sao-vendidos-a-grupo-mexicano.html
- https://www.otempo.com.br/cidades