Mesmo com queda nas exportações, Minas Gerais mantém 3º lugar no agronegócio nacional

Daphne Vercelli
Por Daphne Vercelli Brasil
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Estado movimentou R$ 45,6 bilhões em vendas externas do campo no primeiro semestre e responde por mais de 10% de tudo que o agro brasileiro exportou

O agronegócio de Minas Gerais segue entre os pilares mais relevantes da economia mineira e também do cenário nacional. Levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostra que o setor movimentou R$ 45,6 bilhões em exportações no primeiro semestre de 2026. O resultado manteve o estado na terceira posição entre os maiores exportadores do agro no país, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo.

O número representa uma queda de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado, puxada principalmente pela retração nos embarques de café, produto historicamente dominante na pauta mineira. Ainda assim, o desempenho consolida a posição de Minas entre os estados mais relevantes do agronegócio brasileiro, com produtos vendidos para 166 países ao longo dos seis primeiros meses do ano.

Café perde força, mas segue como carro-chefe

Entre janeiro e junho, Minas exportou 8,46 milhões de toneladas de produtos agropecuários, volume 3% menor do que o registrado no primeiro semestre de 2025. O café respondeu sozinho por R$ 22,9 bilhões, o equivalente a pouco mais da metade de toda a receita agropecuária obtida no exterior pelo estado. Foram embarcadas aproximadamente 10,8 milhões de sacas de 60 quilos no período, um volume menor por conta da disponibilidade reduzida do produto, ainda que o preço médio de exportação tenha subido cerca de 4,2% na comparação anual.

A explicação para a retração está em uma base de comparação excepcionalmente elevada. Em 2025, o agronegócio mineiro havia batido recorde histórico, com aproximadamente R$ 101 bilhões em vendas externas ao longo do ano inteiro, resultado impulsionado pela forte valorização internacional do café. A comparação com 2026, portanto, ocorre justamente sobre esse patamar excepcional do ano anterior.

Soja e carnes ajudam a segurar o resultado

Enquanto o café perdia espaço, outras cadeias do agronegócio mineiro ganharam força e ajudaram a evitar uma retração ainda maior no resultado geral. O complexo da soja, que reúne grão, farelo e óleo, movimentou cerca de R$ 10,7 bilhões no semestre, um crescimento de aproximadamente 10% sobre o mesmo período de 2025. Chamou atenção o avanço da participação de farelo e óleo na pauta, produtos que passam por processamento industrial antes de deixar o estado.

As exportações de carnes bovina, suína e de frango também tiveram desempenho positivo, somando cerca de R$ 4,8 bilhões, alta de 13,4% na comparação anual. O volume embarcado chegou a 247,3 mil toneladas, 3,7% acima do registrado no primeiro semestre de 2025. O crescimento da receita acima do volume mostra que o valor médio das carnes exportadas por Minas também aumentou no período.

Outras cadeias que compõem a pauta mineira

O complexo sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e etanol, gerou cerca de R$ 2,7 bilhões em exportações no semestre. Já os produtos florestais, entre celulose, madeira e papel, somaram valor próximo de R$ 2,6 bilhões. Juntas, as cinco principais cadeias, café, soja, carnes, sucroalcooleiro e florestal, concentraram mais de 96% de tudo que o agronegócio mineiro vendeu ao exterior no período.

Minas também aparece entre os principais fornecedores brasileiros de produtos como mel, lácteos, sementes, batatas processadas e doce de leite. Embora movimentem valores menores em comparação às grandes commodities, essas cadeias têm relevância porque abrem espaço para cooperativas e agroindústrias de menor porte no mercado internacional. Do lado dos destinos, a China segue como principal compradora do agro mineiro, seguida por Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão, com a União Europeia concentrando boa parte de suas compras justamente no café.

O que vem pela frente

O peso do agronegócio mineiro vai além das exportações. O Valor Bruto da Produção agropecuária do estado alcançou recorde de R$ 167,8 bilhões em 2025, e as projeções para 2026 mantêm o faturamento próximo desse patamar, ainda que com desempenhos distintos entre as cadeias. As lavouras respondem por cerca de dois terços do valor total, com o café mantendo a liderança, seguido por soja, cana-de-açúcar e milho.

Para o produtor mineiro, a diversificação observada neste primeiro semestre reduz parcialmente a dependência de uma única commodity, mas não elimina os riscos ligados ao câmbio, aos preços internacionais, ao custo do crédito e às condições climáticas. Ainda assim, o setor segue respondendo por cerca de quatro de cada dez reais obtidos pelo estado com exportações, reafirmando o papel do campo como uma das principais bases da economia mineira dentro do cenário nacional.

Fontes consultadas: