Uberlândia amplia agenda de tecnologia e coloca inteligência artificial no centro da inovação em Minas Gerais

Daphne Vercelli
Por Daphne Vercelli Tecnologia
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Evento internacional nesta sexta-feira reúne especialistas, empresas e comunidade tecnológica para discutir como a inteligência artificial está mudando os negócios em Minas.

A agenda de tecnologia de Uberlândia ganha destaque nesta semana com um encontro internacional dedicado à inteligência artificial, infraestrutura e inovação empresarial. O evento “A Próxima Fronteira: Empresas e Infraestrutura” será realizado nesta sexta-feira, 25 de setembro, das 8h às 10h, no auditório da Associação Empresarial de Uberlândia (Aciub), no bairro Martins. A iniciativa é promovida pela Prefeitura de Uberlândia, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Mais do que uma palestra sobre tecnologia, a programação ajuda a responder uma dúvida que interessa a empresários, trabalhadores, estudantes e empreendedores mineiros: de que maneira a inteligência artificial pode transformar a economia de uma cidade fora da capital? Uberlândia vem tentando fortalecer seu ecossistema de inovação, aproximando empresas, universidades, investidores e profissionais qualificados. O movimento coloca o Triângulo Mineiro em uma discussão que já ultrapassa os limites de Belo Horizonte e alcança diferentes regiões do estado.

O que acontece em Uberlândia e por que a inteligência artificial entrou na agenda

O encontro desta sexta-feira terá como principal atração o especialista indo-americano Vivek Mohindra, que possui experiência em gestão e transformação de negócios no setor de tecnologia. Segundo a Prefeitura, ele já atuou em empresas como McKinsey, TPG Capital e Freescale Semiconductors e exerceu, entre 2023 e 2026, as funções de Chief Strategy Officer e assessor especial na Dell Technologies. Atualmente, ele integra conselhos de administração e participa de iniciativas internacionais relacionadas à inteligência artificial.

A palestra principal será dedicada justamente à relação entre tecnologia, infraestrutura e empresas. A proposta é discutir como novas ferramentas digitais estão alterando processos produtivos, estratégias de negócios e formas de criação de oportunidades. Para quem acompanha o crescimento do setor em Minas Gerais, o ponto mais relevante está na tentativa de transformar conhecimento tecnológico em atividade econômica, formação profissional e atração de investimentos. O encontro também conta com apoio da Aciub, do Sebrae Minas, do UberHub e da Federação das Indústrias de Minas Gerais, ampliando a participação de diferentes setores do ecossistema local.

A programação também terá uma apresentação chamada “Uberlând.I.A.”, conduzida pela diretora de inovação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação. A atividade pretende mostrar projetos municipais e destacar o ambiente tecnológico existente na cidade. Em seguida, o líder do UberHub apresentará o ecossistema de inovação local e o programa UberHub Code, voltado à formação de desenvolvedores. A Prefeitura informa que a iniciativa tem como meta capacitar 21 mil pessoas em lógica de programação até 2029, indicando que a formação de mão de obra é tratada como uma das peças centrais da estratégia tecnológica do município.

Para o morador de Minas, esse movimento ajuda a explicar por que tecnologia deixou de ser um assunto restrito às empresas tradicionais do setor. A inteligência artificial pode aparecer em áreas como indústria, comércio, logística, serviços financeiros, agricultura e atendimento ao consumidor, segmentos importantes para a economia mineira. Em uma cidade com forte atividade empresarial e posição estratégica no Triângulo Mineiro, a disponibilidade de profissionais capazes de trabalhar com ferramentas digitais pode influenciar a capacidade de empresas locais de modernizar processos e disputar novos mercados.

Como a tecnologia pode afetar empregos, empresas e formação profissional em MG

Um dos efeitos mais concretos dessa transformação está na necessidade de qualificação. A expansão de ferramentas de inteligência artificial não significa apenas a criação de funções diretamente ligadas à programação, porque profissionais de diferentes áreas passam a precisar compreender como utilizar sistemas digitais para executar tarefas, analisar informações e melhorar processos. Por isso, iniciativas de capacitação podem alcançar estudantes, trabalhadores em transição de carreira, empreendedores e funcionários de empresas que precisam adaptar suas atividades.

Em Uberlândia, a própria estratégia anunciada pela administração municipal combina tecnologia com formação de talentos. O objetivo declarado de capacitar 21 mil pessoas em lógica de programação até 2029 mostra uma tentativa de criar uma base profissional capaz de sustentar o crescimento do ecossistema local. A experiência também se conecta a outras ações recentes da cidade: em 23 de setembro, sete estudantes de Uberlândia participaram, em Belo Horizonte, de uma imersão do Google voltada ao incentivo de carreiras nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Esse tipo de conexão entre educação e mercado pode ter importância especial para Minas Gerais porque a inovação não está concentrada em uma única cidade. Belo Horizonte possui um ecossistema tecnológico consolidado, enquanto municípios como Uberlândia desenvolvem iniciativas próprias para atrair empresas, investimentos e profissionais. A existência de diferentes polos permite que estudantes e empreendedores encontrem oportunidades também fora da capital, aproximando a transformação digital de outras regiões mineiras.

Outro aspecto importante é a infraestrutura. Sistemas de inteligência artificial dependem de conectividade, armazenamento de dados, capacidade computacional, segurança digital e profissionais especializados. Por isso, discutir IA sem falar de infraestrutura deixa parte importante do problema de fora. A escolha de Uberlândia para receber um debate internacional sobre esses temas mostra justamente a tentativa de tratar inovação como uma questão econômica ampla, ligada à capacidade de empresas e cidades se prepararem para mudanças tecnológicas.

Uberlândia busca transformar inovação em oportunidade econômica para Minas

A programação desta semana faz parte de uma estratégia mais ampla de internacionalização do município. De acordo com a Prefeitura, o Programa de Internacionalização de Uberlândia foi lançado em março de 2026 para aproximar a cidade de oportunidades de negócios e investimentos e apresentar suas potencialidades a parceiros internacionais. O encontro com a Embaixada dos Estados Unidos se encaixa nesse objetivo ao trazer para o município um especialista ligado ao debate global sobre inteligência artificial.

O movimento também ocorre em um momento em que a cidade busca consolidar uma identidade própria na área de tecnologia. Em 22 de setembro, a Prefeitura anunciou participação no Brain Innovation Summit 2026, realizado em Uberlândia, com apresentação do programa Uberlând.I.A. e participação em um painel sobre financiamento da inovação. A proposta é aproximar grandes empresas, investidores, universidades e a comunidade tecnológica, mostrando que a agenda de inovação não depende apenas de iniciativas governamentais, mas da interação entre diferentes atores.

Para a economia mineira, esse processo pode ser observado de forma prática. Uma empresa que adota ferramentas digitais pode buscar maior produtividade, melhorar análise de dados ou desenvolver novos serviços, enquanto startups podem encontrar espaço para testar soluções e crescer. Ao mesmo tempo, universidades e centros de formação podem adaptar cursos e projetos para atender à procura por competências que passam a ser valorizadas no mercado. Os resultados, porém, dependem de investimentos, qualificação e capacidade de transformar eventos e programas em projetos permanentes.

O desafio é fazer com que a inovação alcance além dos grandes eventos. Para Uberlândia, isso significa transformar conexões com empresas e instituições internacionais em oportunidades concretas para negócios locais, estudantes e profissionais. Para Minas Gerais, a expansão de polos tecnológicos pelo interior pode ajudar a diversificar a economia e criar novas possibilidades de trabalho qualificado. A agenda desta semana, portanto, funciona como um retrato de uma disputa mais ampla por talentos, investimentos e capacidade tecnológica dentro do próprio estado.

Quem quiser acompanhar o encontro desta sexta-feira deve observar também os desdobramentos posteriores, principalmente em relação a capacitação, novos negócios e parcerias. A palestra será realizada das 8h às 10h no auditório principal da Aciub, na Avenida Vasconcelos Costa, 1500, no bairro Martins. A Prefeitura informou que a entrada é gratuita, mas exige inscrição prévia.

A principal dúvida para o cidadão mineiro, portanto, não é apenas o que a inteligência artificial consegue fazer hoje, mas quem estará preparado para utilizá-la amanhã. Uberlândia tenta responder a essa questão combinando formação profissional, aproximação internacional, empresas, universidades e políticas de inovação. Se essa estratégia conseguir gerar oportunidades concretas, a tecnologia poderá deixar de ser apenas uma pauta ligada às grandes capitais e ganhar ainda mais espaço na economia do interior de Minas Gerais. É justamente nessa passagem entre inovação, qualificação e atividade econômica que estará o impacto mais importante para os mineiros.