Segunda fase da Operação Disco de Ouro apura movimentação de mais de US$ 48 milhões; defesa do cantor mineiro nega qualquer ligação com extração de minério
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (23), a segunda fase da Operação Disco de Ouro, e o cantor Alexandre Pires está entre os alvos dos mandados de busca e apreensão, segundo informações do jornal O Globo. O caso chamou atenção em Minas Gerais porque as buscas chegaram ao Triângulo Mineiro: o artista teve uma casa e um escritório em Uberlândia submetidos às ordens judiciais. migalhasBnews
A nova etapa da operação aprofunda as apurações sobre uma organização criminosa suspeita de lavagem de capitais, falsidade ideológica e outros crimes de caráter transnacional. De acordo com O Globo, não houve expedição de mandados de prisão nesta fase. migalhasmigalhas
O que a Polícia Federal investiga
Conforme o jornal, Alexandre Pires é investigado sob a suspeita de integrar um grupo ligado à extração e à venda ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A cassiterita é o principal minério de onde se obtém o estanho, metal com ampla aplicação industrial, e sua retirada de áreas indígenas é proibida. migalhas
Segundo a PF, o grupo teria extraído o minério ilegalmente entre 2021 e 2022 e usado documentação falsa para apresentá-lo como originário de um garimpo legalizado em Itaituba, no Pará. As investigações indicam que esse deslocamento entre os estados existiria apenas no papel, já que o material seria retirado no próprio território de Roraima. Bnewsmigalhas
O ponto central da nova fase está no caminho do dinheiro. A PF afirma ter identificado a movimentação e a ocultação de mais de US$ 48 milhões, com uso de empresas nacionais e estrangeiras, operações financeiras internacionais, contas de terceiros e mecanismos informais de compensação. Pessoas físicas e jurídicas também teriam sido usadas para fragmentar os valores e dificultar o rastreamento. migalhasmigalhas
Os investigadores rastrearam transações que conectariam diversos elos da cadeia, como pilotos de aeronaves, postos de combustíveis, lojas de máquinas e equipamentos de mineração e pessoas usadas para encobrir movimentações fraudulentas. Conforme a participação de cada um, os envolvidos podem responder por lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira, além de outras infrações que surgirem ao longo do inquérito. migalhasmigalhas
Mandados, bloqueios e outros alvos
Nesta etapa, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de sequestro de bens e valores, todos expedidos pela Justiça Federal. As medidas têm como objetivo reunir provas, interromper as atividades suspeitas e recuperar ativos que estariam ligados aos fatos investigados. migalhasmigalhas
Além do cantor, a lista de alvos inclui pessoas próximas a ele. O advogado Diego Possebon e o empresário Matheus Possebon, que trabalha com Alexandre Pires, também foram alvos da operação. A defesa de Diego Possebon informou ao g1 que a nova fase trata de fatos antigos, que já teriam sido esclarecidos às autoridades. migalhasBnews
A investigação não começou agora. A segunda etapa é um desdobramento da primeira fase da Operação Disco de Ouro, que apura irregularidades na cadeia de comercialização e exportação de minério e o uso de documentos ideologicamente falsos para dar aparência legal a determinadas operações. migalhas
O que diz a defesa do cantor
Em nota, o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, responsável pela defesa de Alexandre Pires, afirmou que o artista nunca teve qualquer envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena. O defensor também declarou que o cantor foi pego de surpresa pelos novos desdobramentos da operação e que seu nome foi envolvido de forma indevida. migalhasmigalhas
Ainda segundo a nota, Pires jamais cometeu qualquer ilícito, o que estaria sendo demonstrado no curso das investigações, e mantém confiança na Justiça brasileira. Até o momento, o cantor não foi denunciado nem responde a processo criminal pelo caso; a fase atual é de coleta de provas. migalhas
Natural de Uberlândia, onde nasceu em 1976, Alexandre Pires ganhou projeção nacional como vocalista do grupo Só Pra Contrariar, ao qual se juntou no fim dos anos 1980. A presença de um dos artistas mineiros mais conhecidos do país em uma investigação desse porte explica a repercussão do caso no estado, que deve continuar à medida que a Polícia Federal analisar o material apreendido em Uberlândia e nos demais endereços. Wikipedia
Fontes: