Primeiro título continental da Raposa completa meio século e será homenageado nesta segunda-feira em Belo Horizonte, reunindo personagens da campanha histórica.
O futebol mineiro volta suas atenções nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, para uma das maiores conquistas da história do Cruzeiro. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais realiza, às 19h, em Belo Horizonte, uma reunião especial em homenagem aos 50 anos do primeiro título da Copa Libertadores da América conquistado pelo clube em 1976. A celebração pretende reconhecer jogadores e integrantes daquela campanha que colocou definitivamente a equipe mineira entre as principais forças do futebol sul-americano. (Assembleia MG)
A homenagem acontece poucas semanas depois do aniversário exato da conquista, ocorrida em 30 de julho de 1976. Naquela temporada, o Cruzeiro superou alguns dos principais clubes do continente e enfrentou o River Plate na decisão. O título também possui um significado especial para o futebol brasileiro: a Raposa encerrou um intervalo de 13 anos sem um clube do País conquistar a Libertadores, desde o Santos de Pelé, em 1963. Cinco décadas depois, entender aquela campanha ajuda a explicar por que a geração de 1976 continua tão presente na identidade cruzeirense.
Como o Cruzeiro chegou ao primeiro título da Libertadores
O time que entrou na Libertadores de 1976 reunia alguns dos maiores nomes da história do Cruzeiro. Jogadores como Raul, Nelinho, Piazza, Zé Carlos, Palhinha e Joãozinho integravam uma equipe que já havia demonstrado força no futebol brasileiro. Sob o comando do técnico Zezé Moreira, a Raposa iniciou uma campanha que terminaria com sua primeira conquista do principal torneio de clubes da América do Sul.
O desempenho ofensivo foi uma das características marcantes daquela trajetória. O Cruzeiro avançou na competição e encontrou adversários tradicionais, entre eles o Internacional, então uma das grandes potências nacionais, e o Olimpia, do Paraguai. A campanha levou o clube à decisão contra o River Plate, da Argentina, transformando a final em um confronto entre duas equipes que buscavam escrever uma página inédita de suas histórias.
A trajetória, entretanto, também ficou marcada por uma tragédia. O atacante Roberto Batata, integrante importante daquele elenco, morreu em um acidente automobilístico durante a disputa da competição. A perda ocorreu em meio à campanha continental e marcou profundamente jogadores, comissão técnica e torcedores. O Cruzeiro seguiu no torneio e posteriormente conquistou o título, fazendo com que a memória do atacante permanecesse ligada àquela geração histórica.
Final contra o River Plate teve três jogos e gol decisivo no fim
A decisão da Libertadores de 1976 começou com amplo domínio cruzeirense. No primeiro confronto, realizado no Mineirão, o Cruzeiro venceu o River Plate por 4 a 1, construindo uma vantagem que parecia colocar a equipe muito próxima da taça. Naquela época, porém, o regulamento não utilizava saldo de gols para definir o campeão da maneira como ocorre em diversos confrontos eliminatórios modernos.
O River reagiu no segundo encontro. Jogando no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, o clube argentino venceu por 2 a 1, resultado que obrigou a realização de uma terceira partida em campo neutro. O duelo decisivo aconteceu em Santiago, no Chile, em 30 de julho de 1976, colocando novamente brasileiros e argentinos frente a frente para definir quem levantaria a Libertadores.
O Cruzeiro abriu vantagem, mas o River Plate conseguiu reagir e deixou o confronto empatado em 2 a 2. Quando a possibilidade de prorrogação se aproximava, Joãozinho marcou de falta aos 43 minutos do segundo tempo, garantindo a vitória por 3 a 2 e o título continental. O gol se transformou em um dos momentos mais lembrados da história cruzeirense e consolidou aquela geração como uma das mais importantes do futebol brasileiro.
Por que a Libertadores de 1976 ainda significa tanto para o Cruzeiro
A conquista teve impacto que ultrapassou aquela temporada. Até então, somente o Santos havia conseguido colocar o Brasil no topo da Libertadores, com os títulos de 1962 e 1963. Ao vencer em 1976, o Cruzeiro tornou-se o segundo clube brasileiro campeão da competição e o único representante do País a conquistar o torneio durante toda a década de 1970. (Wikipédia)
O título também ajudou a ampliar internacionalmente a projeção do futebol de Minas Gerais. Depois da Libertadores, o Cruzeiro disputou a Copa Intercontinental contra o Bayern de Munique, então campeão europeu. Décadas mais tarde, em 1997, a Raposa conquistaria novamente a Libertadores, formando a base de uma tradição continental que também inclui os vice-campeonatos de 1977 e 2009. (Wikipédia)
Em 2026, a lembrança ganha ainda mais força porque o clube voltou a disputar a Libertadores. Assim, os 50 anos da primeira conquista são celebrados em uma temporada na qual a torcida novamente acompanha o Cruzeiro no principal torneio da América do Sul. Essa coincidência aproxima diferentes gerações: de um lado, torcedores que acompanharam a campanha de 1976; de outro, jovens que conhecem aquela equipe principalmente por vídeos, fotografias e histórias transmitidas dentro das próprias famílias.
A homenagem desta segunda-feira será realizada no Plenário da Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte. De acordo com a ALMG, a reunião especial foi solicitada para celebrar o cinquentenário da primeira Libertadores e reconhecer a importância daquele elenco para a história esportiva de Minas Gerais. A cerimônia também deverá reunir ex-jogadores e outros personagens ligados à conquista. (Assembleia MG)
Meio século depois, o resultado conquistado em Santiago permanece como um dos capítulos fundamentais da história do Cruzeiro. A equipe de 1976 não apenas levantou a primeira Libertadores do clube, mas ajudou a projetar Minas Gerais no cenário internacional e abriu caminho para uma tradição continental que seria renovada nas décadas seguintes. A celebração dos 50 anos funciona, portanto, como uma oportunidade para preservar a memória de jogadores que marcaram época e apresentar às novas gerações a dimensão daquela conquista.
A data também chega em um momento simbólico para o torcedor, com o Cruzeiro novamente envolvido na Libertadores em 2026. Enquanto a equipe atual busca construir sua própria trajetória, a geração de 1976 permanece como referência do que significa chegar ao topo da América. A homenagem em Belo Horizonte reforça justamente essa ligação entre passado e presente, mantendo viva uma conquista que, mesmo depois de cinco décadas, continua ocupando lugar central na história do futebol mineiro.