O agronegócio de Minas Gerais vive um contraste que intriga quem acompanha a economia do estado. Depois de um 2025 histórico, com recorde de quase 20 bilhões de dólares em vendas externas, os primeiros meses de 2026 trouxeram um recuo nas exportações que gerou a dúvida natural entre produtores e investidores: o desempenho recorde do ano passado era sustentável ou foi um pico pontual puxado por fatores conjunturais? A resposta, segundo dados oficiais do governo estadual, é mais complexa do que um simples sinal de alerta.
Por que as exportações do agronegócio recuaram neste início de ano
Entre janeiro e maio de 2026, o agronegócio mineiro movimentou cerca de 7,37 bilhões de dólares em vendas externas, uma retração de aproximadamente 12,9% frente ao mesmo período de 2025, com queda também no volume embarcado. O café, principal produto da pauta exportadora do estado, foi o maior responsável por essa desaceleração, já que os embarques caíram mais de 26% em volume, mesmo com o preço médio do produto subindo mais de 7% no período. Isso significa que a retração teve menos relação com perda de competitividade e mais com uma oferta física menor disponível para exportação, refletindo o ciclo produtivo da lavoura cafeeira.
Ainda assim, Minas Gerais manteve participação de cerca de 10,3% nas exportações do agronegócio brasileiro, permanecendo entre os três maiores estados exportadores do setor no país. Esse detalhe é importante porque mostra que o recuo, embora real, não tirou o estado de sua posição de destaque no comércio exterior agropecuário nacional, que como um todo cresceu no mesmo período.
Quais produtos seguram o desempenho da economia mineira
O complexo da soja foi o principal amortecedor da queda puxada pelo café. Com cerca de 1,68 bilhão de dólares em vendas e participação de quase 23% do total exportado pelo agro estadual, a soja registrou alta em receita mesmo com volume ligeiramente menor, beneficiada pela valorização do preço médio da tonelada. Os produtos florestais, com destaque para a celulose, também mantiveram relevância na pauta, ainda que tenham sofrido pressão pela queda no preço internacional da commodity.
A China segue como o principal comprador do agro mineiro, concentrando quase 26% de tudo o que o estado exporta no setor, seguida por Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. Esses cinco mercados juntos respondem por mais da metade das exportações agropecuárias de Minas Gerais, o que expõe tanto a força dessas parcerias comerciais quanto a dependência do estado em relação a um número relativamente concentrado de destinos. A diversificação para mercados como Oriente Médio e países asiáticos tem avançado, mas ainda em ritmo mais lento.
O que o cenário indica para o restante do ano
Economistas ouvidos por veículos especializados apontam que 2026 deve ser marcado por maior cautela no comércio exterior mineiro, refletindo tanto o desaquecimento da economia chinesa quanto os efeitos de um ano eleitoral, que historicamente aumenta a incerteza para investidores. Projeções da Fundação João Pinheiro indicam crescimento um pouco menor do PIB estadual em 2026 na comparação com 2025, ainda que superior à média nacional, o que reforça a leitura de desaceleração controlada, e não de crise.
Para o agronegócio especificamente, a expectativa é de estabilização ao longo do segundo semestre, à medida que novas safras entrem no cálculo e o ciclo de preços internacionais se ajuste. O desempenho de Minas Gerais segue sendo observado de perto porque o estado é referência nacional em café, leite e minério, produtos que respondem por parcela significativa da balança comercial brasileira e cujo comportamento ajuda a antecipar tendências para o país como um todo.
Fontes: Diário do Comércio | Sul de Minas Online | Agência Minas