Minas Gerais lidera faturamento da mineração no Brasil impulsionada pelo ouro

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez Brasil
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Estado responde por 38,2% da receita mineral nacional no primeiro semestre, à frente do Pará, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração

Ouro impulsiona liderança mineira no setor

O faturamento do setor mineral em Minas Gerais alcançou R$ 57,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado garantiu ao estado a primeira posição entre os produtores minerais do país, respondendo por 38,2% do montante total faturado pelo setor no Brasil, à frente do Pará, que somou R$ 52,2 bilhões, equivalentes a 34,6% do total nacional. Diário do ComércioDiário do Comércio

Os números foram divulgados no fim de julho pelo Instituto Brasileiro de Mineração, o Ibram, e confirmam a posição histórica de Minas Gerais como o principal estado minerador do país. O desempenho, no entanto, chama atenção por um motivo específico: dessa vez, não foi o minério de ferro o grande responsável pelo resultado, e sim o ouro.

Segundo o diretor de assuntos minerários da entidade, Julio Nery, o ouro foi o principal responsável pelo desempenho do setor em Minas Gerais. O estado concentra operações de empresas de peso nesse segmento, como AngloGold Ashanti, Kinross Gold, CMOC Group e Jaguar Mining, e se beneficiou diretamente da valorização histórica do metal no mercado internacional. Diário do Comércio

Valorização do ouro e do cobre sustenta receita

De acordo com o levantamento do Ibram, na primeira metade de 2026 o preço médio da onça do ouro chegou a US$ 4.695,98, uma alta de 52,9% na comparação com o ano anterior. Essa valorização se traduziu diretamente em receita para os produtores mineiros: a receita com exportações de ouro em Minas Gerais cresceu 64,5% no acumulado entre janeiro e junho, na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Diário do ComércioDiário do Comércio

O desempenho mineiro também ajudou a puxar os números do país como um todo. No Brasil, as mineradoras faturaram R$ 150,7 bilhões no primeiro semestre, um avanço de 8,2% em relação a um ano antes, com o ouro atuando novamente como principal motor desse crescimento. A valorização do metal aumentou o faturamento nacional em 44,2% e fez o valor dos embarques saltar 69,3%. Diário do Comércio

Outro metal que teve papel de destaque nesse período foi o cobre. O preço médio semestral do cobre subiu 38,8%, chegando a US$ 13.088,09 por tonelada, o que elevou o faturamento do setor em 41% e a receita com embarques em 83,8%. Embora o cobre ainda tenha peso menor do que o ouro e o minério de ferro na balança mineral mineira, o movimento de alta reforça a tendência de valorização generalizada de commodities metálicas neste ano. Diário do Comércio

Minério de ferro segue com crescimento moderado

O minério de ferro, carro-chefe histórico do setor em Minas Gerais, também segue em trajetória positiva, ainda que com um ritmo mais moderado. Levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a Fiemg, mostrou que o Produto Interno Bruto da mineração no estado avançou 4,1% nos três primeiros meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2025, com a produção de minério de ferro subindo 5,3% na comparação interanual. Diário do Comércio

Nem todas as mineradoras, contudo, tiveram desempenho parecido. A Vale sustentou o crescimento do setor no primeiro trimestre, com alta de 10,8% na produção, enquanto Mineração Usiminas, CSN Mineração e Anglo American registraram quedas de 10,2%, 1,5% e 1,3%, respectivamente. O resultado mostra que, apesar do cenário favorável de preços, a produção segue distribuída de forma desigual entre as companhias que operam no estado. Diário do Comércio

A Vale, maior mineradora do país e peça central da economia mineira, voltou a apresentar números fortes no segundo trimestre. A produção de minério de ferro atingiu 84,3 milhões de toneladas no período, alta de 1% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, com vendas subindo 3%, para 79,7 milhões de toneladas. Moon BH

Crise de governança na Vale preocupa investidores

Os resultados operacionais foram divulgados nesta semana, junto ao balanço financeiro do segundo trimestre. O desempenho robusto no campo operacional, porém, ocorre em meio a turbulências na governança da companhia. A empresa enfrentou a renúncia de Marcelo Gasparino, vice-presidente do conselho de administração, dias depois de ele perder a disputa pela presidência do colegiado para Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, em assembleia realizada no fim de julho. Moon BH

Uma investigação interna concluiu que Gasparino teria vazado informações confidenciais discutidas em uma reunião do conselho realizada em junho. Para analistas do setor, disputas internas como essa tendem a preocupar investidores, mesmo quando os números operacionais são positivos, já que instabilidades na cúpula de uma companhia costumam elevar a percepção de risco do negócio.

Como a Vale responde por parcela relevante do PIB mineiro e emprega milhares de trabalhadores no estado, qualquer solavanco em sua governança acaba repercutindo diretamente na economia de Minas Gerais. Com o segundo semestre apenas começando, o setor mineral mineiro aposta na manutenção dos preços elevados de ouro e cobre para sustentar o ritmo de crescimento observado até aqui, o que reforçaria ainda mais a liderança nacional do estado ao longo de 2026.

Fontes:
Diário do Comércio: Mineração, faturamento em Minas Gerais cresce 4,3% no semestre
Diário do Comércio: PIB da mineração em Minas Gerais avança 4,1% no 1º trimestre, aponta Fiemg
Moon BH: Vale chega ao balanço com minério forte e nova baixa no conselho