Minas Gerais tenta ir além da exportação de minério e discute novo ciclo da mineração no estado

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez Brasil
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Fiemg defende clareza e investimento no plano nacional para o setor mineral

Minas Gerais segue sendo o maior polo minerador do Brasil, e a discussão sobre o futuro dessa atividade voltou a ganhar força nas últimas semanas com a apresentação de um plano nacional de mineração que promete ir além da simples exportação de commodities. Segundo levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a Fiemg, o novo plano precisa de mais clareza e de investimentos robustos para conseguir avançar de fato, especialmente diante da descoberta de minerais estratégicos que abrem um novo ciclo para o setor no estado. A atividade mineral representa parcela relevante do Produto Interno Bruto mineiro, e qualquer mudança de rota nessa área tende a repercutir diretamente na economia de dezenas de municípios do interior.

O tema ganhou ainda mais visibilidade com a divulgação do desempenho recente do setor. De acordo com dados apurados pelo Diário do Comércio, o PIB da mineração em Minas Gerais avançou 4,1% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior, embora tenha registrado recuo de 5,4% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O saldo da balança comercial do setor no estado ficou superavitário em US$ 2,6 bilhões nos três primeiros meses do ano, ainda que esse resultado represente queda de 2,9% frente ao mesmo intervalo de 2025 e de 22,6% em relação ao trimestre anterior. Os números mostram um setor que continua relevante, mas que enfrenta oscilações ligadas ao comportamento do comércio internacional de minério de ferro.

O que está em jogo com o novo plano nacional de mineração

A proposta discutida em nível federal busca justamente mudar o perfil da mineração brasileira, hoje fortemente concentrada na venda de minério bruto para o exterior. A ideia é agregar mais valor à cadeia produtiva dentro do próprio país, algo que interessa em especial a Minas Gerais por concentrar boa parte da produção mineral nacional. A Fiemg, ao avaliar o plano, ponderou que o estado já se destaca como polo minerador e que o desafio agora é aproveitar esse protagonismo para alavancar o setor para além da simples extração e exportação de commodities, um movimento que depende de investimento em tecnologia, processamento local e formação de mão de obra especializada.

Esse debate ocorre em paralelo a um movimento de renovação dentro do próprio setor mineral mineiro. A descoberta de minerais estratégicos, associados a tecnologias como baterias e componentes eletrônicos, tem atraído atenção de investidores e de autoridades federais para o estado. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, recebeu recentemente o CEO do Grupo Serra Verde para discutir novos investimentos ligados a esse segmento, um indício de que Minas Gerais pode se tornar protagonista também na produção de materiais considerados críticos para a transição energética e para a indústria de tecnologia, e não apenas na extração tradicional de ferro.

Eventos do setor reforçam protagonismo mineiro na mineração nacional

A força do setor mineral em Minas Gerais também se refletiu na realização de grandes eventos ligados à mineração no estado nas últimas semanas. A Arena MRV, em Belo Horizonte, recebeu a primeira edição do MineraCon, considerado um megaevento capaz de ditar rumos para um setor que representa cerca de 40% de toda a produção mineral do Brasil. O encontro trouxe o lançamento de iniciativas como o programa permanente voltado à equidade de gênero na mineração e a criação de um braço acadêmico para atrair novos talentos para dentro das grandes mineradoras que operam no estado.

Além do MineraCon, a programação do setor no estado inclui a Exposibram, que reúne os principais nomes da mineração nacional e internacional em torno de debates técnicos e de negócios. O evento conta com patrocínio de grandes companhias que atuam em Minas Gerais, entre elas BHP, Anglo American Brasil e a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, a Codemge. Iniciativas paralelas, como espaços de educação mineral voltados a estudantes, reforçam a tentativa do setor de melhorar sua imagem pública, historicamente marcada por episódios de desastres ambientais que ainda pesam na relação entre mineradoras e comunidades mineiras.

Desafios ambientais e regulatórios continuam no radar

Apesar do otimismo em torno do novo ciclo mineral, o setor em Minas Gerais convive com desafios estruturais que não desapareceram. Levantamentos do setor apontam a existência de dezenas de barragens de rejeito consideradas prioritárias em termos de risco no país, parte relevante delas localizada em território mineiro, o que mantém a fiscalização ambiental como tema sensível para qualquer discussão sobre expansão da atividade. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que a Fiemg insiste na necessidade de regras claras dentro do plano nacional de mineração, evitando que o crescimento do setor avance sem os devidos cuidados regulatórios e ambientais.

Para os próximos meses, a expectativa é que o debate sobre o plano nacional de mineração avance no Congresso e nos órgãos federais responsáveis pelo setor, com Minas Gerais ocupando lugar central nessas discussões pela simples relevância econômica que a atividade mineral tem para o estado. A combinação entre performance econômica, novos investimentos em minerais estratégicos e pressão por regras ambientais mais rígidas deve continuar pautando o noticiário mineiro sobre o tema ao longo do segundo semestre.

Fontes consultadas: Diário do Comércio, disponível em: https://diariodocomercio.com.br/economia/plano-nacional-de-mineracao-precisa-de-mais-clareza-e-investimentos-robustos-para-dar-certo-diz-fiemg/ Diário do Comércio, disponível em: https://diariodocomercio.com.br/economia/pib-mineracao-minas-gerais/ Diário do Comércio, disponível em: https://diariodocomercio.com.br/eventos/mineracon-2026/ Ibram, disponível em: https://ibram.org.br/noticia/exposibram-2026-reune-nomes-da-mineracao/