PIB de Minas Gerais cresce quase 4% e economia mineira supera expectativas no segundo trimestre

Daphne Vercelli
Por Daphne Vercelli Brasil
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 Agropecuária impulsiona resultado estadual, mas participação de Minas na economia brasileira recua diante do desempenho nacional

A economia de Minas Gerais surpreendeu no segundo trimestre de 2026. Segundo levantamento divulgado pela Fundação João Pinheiro, o Produto Interno Bruto do estado somou R$ 316,3 bilhões entre abril e junho, um avanço nominal de 3,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos reais, o crescimento chegou a 4%, número que colocou a economia mineira em evidência no cenário nacional, especialmente por ter sido puxado quase inteiramente por um único setor: a agropecuária.

Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, já considerando o ajuste sazonal, o PIB mineiro cresceu 3% em termos reais. No acumulado do primeiro semestre, o estado somou R$ 597,2 bilhões, uma alta nominal de 2,9% frente ao mesmo intervalo de 2025. Em termos reais, a expansão do primeiro semestre ficou em 1,8%, enquanto o deflator implícito do PIB variou 1,1% no período, indicador que ajuda a separar o crescimento real do efeito da inflação sobre os valores nominais divulgados.

 

Agropecuária puxa o crescimento e surpreende economistas

 

O grande destaque do trimestre foi a agropecuária mineira, que registrou expansão real de 19,1% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado foi impulsionado pela colheita de café e milho, além da produção de carvão vegetal voltada à metalurgia do estado. Segundo o economista da Fundação Ipead, Paulo Casaca, o número surpreendeu mesmo em um cenário de incertezas econômicas. Para ele, o resultado reflete tanto o impacto do Plano Safra, fundamental para o equilíbrio do fluxo de caixa dos produtores rurais, quanto condições climáticas favoráveis para as principais culturas do estado ao longo do trimestre.

O desempenho positivo também foi celebrado pelo sistema Faemg Senar, que representa o setor agropecuário mineiro. Segundo a entidade, o resultado demonstra a força e a resiliência dos produtores rurais em um ambiente marcado por juros elevados e custos de produção mais altos. A expectativa do setor é que esse ritmo de crescimento ajude a consolidar uma trajetória mais consistente de agregação de valor dentro da própria cadeia produtiva mineira, reduzindo a dependência de commodities exportadas sem processamento local.

 

Indústria recua em todos os segmentos analisados

 

Enquanto a agropecuária avançava, a indústria mineira apresentou queda em todas as grandes atividades pesquisadas no trimestre. A indústria extrativa recuou 0,6% na comparação anual, as indústrias de transformação caíram 0,3% e a produção de utilidades públicas teve retração de 0,5%. O segmento mais afetado foi a construção civil, com queda de 1,7% no período. Segundo Paulo Casaca, a taxa de juros elevada segue como um dos principais fatores por trás desse desempenho negativo, mas não explica isoladamente o resultado, já que, no recorte nacional, a indústria brasileira cresceu no mesmo intervalo analisado.

Apesar da retração observada neste trimestre, a indústria continua representando uma fatia relevante da estrutura econômica de Minas Gerais. Segundo dados de 2023, últimos disponibilizados pelo IBGE em série detalhada, o setor respondia por 29,70% do valor adicionado bruto do estado, distribuído entre indústrias de transformação, extração mineral, produção de resíduos e construção civil.

 

Serviços crescem de forma moderada e ajudam a sustentar o resultado

 

O setor de serviços também contribuiu para o resultado positivo do trimestre, com crescimento real de 1,1% na comparação anual. Entre os segmentos que compõem essa área, o comércio avançou 0,7%, os transportes cresceram 1,3%, outros serviços tiveram alta de 1,5% e a administração pública registrou expansão de 0,6%. Segundo a economista da Fecomércio Minas Gerais, Gabriela Martins, o resultado do trimestre está muito mais concentrado no desempenho da agropecuária do que em uma melhora generalizada da economia mineira, já que o crescimento do agro foi quase cinco vezes superior à média geral registrada pelo estado.

Ainda de acordo com a economista, os indicadores de comércio e serviços mostram que a economia mineira manteve algum dinamismo além do agro, ainda que em ritmo moderado. As vendas no comércio tiveram melhora ao longo do trimestre, impulsionadas principalmente por segmentos ligados ao consumo essencial, como supermercados e produtos farmacêuticos, refletindo um consumidor mais cauteloso diante do cenário de juros elevados.

 

Participação de Minas na economia nacional recua apesar do crescimento

 

Mesmo com o avanço registrado no trimestre, a fatia de Minas Gerais dentro da economia brasileira diminuiu. O estado respondeu por 9,2% do PIB nacional no segundo trimestre de 2026, ante 9,5% no mesmo período do ano anterior. O movimento indica que, apesar do bom desempenho local, outras regiões do país cresceram em ritmo ainda mais acelerado, reduzindo proporcionalmente o peso mineiro no conjunto da economia nacional.

Para o economista Guilherme Almeida, colunista especializado em renda fixa, a tendência para os próximos trimestres é de desaceleração, tanto no recorte estadual quanto no nacional. Segundo ele, a manutenção da política monetária restritiva no país segue pressionando a geração de caixa das empresas, o que deve comprometer o ritmo de crescimento observado neste início de segundo semestre. O economista também alerta que o setor agropecuário mineiro pode sofrer impactos adicionais nos próximos meses em decorrência do fenômeno El Niño, que já provoca oscilações climáticas relevantes no estado.

Fontes:
https://diariodocomercio.com.br/economia/pib-minas-gerais-cresce/