Alinhamento de interesses: Haroldo Augusto Filho alude a estratégia que pode mudar o rumo das suas negociações corporativas

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez Notícias
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Haroldo Augusto Filho

Identificar e aproximar interesses que parecem irreconciliáveis é um dos desafios centrais de qualquer negociação empresarial. Conforme detalha Haroldo Augusto Filho, a divergência de interesses é a condição natural de qualquer ambiente corporativo competitivo, e não o problema em si. O problema surge quando essa divergência não encontra um processo adequado para ser trabalhado. 

Neste artigo, você vai entender como o alinhamento de interesses funciona na prática e por que ele define a qualidade dos acordos corporativos. 

Interesses reais versus posições declaradas

Um dos conceitos mais consolidados na literatura contemporânea sobre negociação é a distinção entre posições e interesses. Posições são as demandas declaradas pelas partes, aquilo que cada lado afirma querer. Interesses são as razões subjacentes que motivam essas demandas, e é nessa camada que o espaço para acordo geralmente se encontra.

Em negociações corporativas de alta complexidade, as posições declaradas frequentemente mascaram interesses que seriam perfeitamente compatíveis se colocados em diálogo direto. Uma empresa que exige prazo de pagamento mais curto pode estar respondendo a uma pressão de fluxo de caixa, não a uma posição rígida sobre o valor em si. Identificar esse interesse real abre alternativas que a negociação centrada em posições jamais alcançaria. 

Conforme pondera Haroldo Augusto Filho, o trabalho de separar posições de interesses exige tanto rigor analítico quanto habilidade de condução do diálogo, duas competências que precisam operar de forma simultânea para que o processo avance sem que as partes percam a confiança no que está sendo construído.

O papel do mapeamento de stakeholders

Em negociações que envolvem múltiplas partes, o alinhamento de interesses passa necessariamente por um mapeamento estruturado dos stakeholders envolvidos. Identificar quem são as partes, quais são seus interesses diretos, quais são suas alternativas em caso de não acordo e qual é o grau de interdependência entre elas são etapas que precedem qualquer tentativa de construção de consenso.

Relatório da consultoria Deloitte, publicado em 2024, sobre gestão de stakeholders em processos de reestruturação corporativa, identificou que a ausência de mapeamento formal é o fator mais frequentemente associado ao colapso de negociações complexas, presente em 61% dos casos analisados. A conclusão reforça o argumento de que o alinhamento de interesses não é uma habilidade interpessoal isolada, mas um processo que demanda estrutura e método.

A gestão de stakeholders em cenários críticos exige ainda atenção ao sequenciamento das interações. Em negociações com múltiplas partes, a ordem em que cada grupo é consultado e o momento em que propostas são apresentadas influenciam diretamente a percepção de legitimidade do processo e a disposição de cada parte para flexibilizar suas posições.

Construção de valor conjunto em ambientes de pressão

Negociações conduzidas sob pressão de tempo, exposição reputacional ou escassez de recursos tendem a produzir acordos distributivos, nos quais o ganho de uma parte corresponde diretamente à perda da outra. A construção de valor conjunto, conceito central na teoria moderna de negociação, propõe uma lógica diferente: identificar elementos que têm valor assimétrico para as partes e utilizá-los como base para acordos que ampliem o resultado total disponível.

Haroldo Augusto Filho
Haroldo Augusto Filho

Na concepção de Haroldo Augusto Filho, ambientes de pressão são precisamente aqueles em que a tentação de adotar uma postura puramente distributiva é maior, e também onde o custo dessa escolha tende a ser mais elevado no longo prazo. Acordos que ignoram a possibilidade de criação de valor conjunto costumam ser revisitados com mais frequência e geram maior desgaste relacional entre as partes.

Um estudo do Program on Negotiation da Universidade Harvard, divulgado em 2025, demonstrou que negociadores treinados em técnicas de criação de valor conjunto produzem acordos com valor médio 27% superior ao de negociadores orientados exclusivamente para a distribuição do que já está disponível na mesa.

Sustentabilidade do alinhamento após o acordo

O alinhamento de interesses não se encerra com a assinatura de um acordo. Em relações corporativas contínuas, a sustentabilidade do que foi combinado depende de mecanismos que mantenham o alinhamento ativo ao longo do tempo, especialmente quando as condições que cercavam a negociação original se alteram. Definir protocolos de revisão periódica, estabelecer canais claros para comunicação de divergências emergentes e prever mecanismos de ajuste sem necessidade de renegociação formal são práticas que aumentam a longevidade dos acordos corporativos e reduzem o risco de que pequenas fricções evoluam para conflitos de maior escala.

Como ressalta Haroldo Augusto Filho, um acordo bem construído antecipa as condições de sua própria revisão, incorporando ao texto final os mecanismos que permitirão às partes ajustá-lo sem que seja necessário retornar ao ponto de partida da negociação. Neste conteúdo, foram abordados os principais elementos que compõem o alinhamento de interesses em negociações corporativas complexas. Para aprofundar o tema, vale acompanhar produções especializadas que articulam método, análise e aplicação prática em contextos reais de alta complexidade.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez