Entenda o que acontece quando alguém usa sua terra por décadas

Daphne Vercelli
Por Daphne Vercelli Notícias
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Parajara Moraes Alves Junior

Empresas de energia solar e eólica vêm procurando produtores rurais para instalar equipamentos em suas terras por prazos que chegam a décadas, negociação que, como observa Parajara Moraes Alves Junior a partir de propostas que já analisou ao longo do tempo, costuma ser formalizada por meio do direito de superfície, instrumento jurídico bem diferente de um simples arrendamento e com implicações que exigem análise cuidadosa antes de qualquer assinatura.

O direito de superfície permite que o proprietário tenha a chance de conceder a terceiros o direito de usar a superfície do solo para construção ou instalação de equipamentos, mantendo consigo a propriedade plena do imóvel, enquanto o superficiário explora aquela área específica pelo prazo determinado no contrato firmado entre as duas partes.

Em que esse instrumento difere do arrendamento tradicional?

O arrendamento tradicional concede uso temporário da terra para exploração agrícola, mantendo a natureza produtiva original da área, enquanto o direito de superfície costuma envolver instalação de estrutura física permanente, como painéis solares ou torres eólicas, que muda completamente a destinação daquele espaço específico durante toda a vigência do contrato.

Essa diferença de natureza também afeta a duração dos contratos, já que o direito de superfície costuma ser firmado por prazos muito mais longos, frequentemente entre vinte e trinta anos, período compatível com o retorno de investimento esperado por empresas de energia que instalam infraestrutura de alto custo na propriedade rural. Parajara Moraes Alves Junior, nesse ínterim, aponta que essa duração incomum é justamente o que exige atenção redobrada antes de qualquer assinatura definitiva.

Como funciona o pagamento nesse tipo de contrato?

Contratos de direito de superfície geralmente preveem pagamento periódico ao proprietário, seja mensal, seja anual, calculado com base na área efetivamente ocupada pelos equipamentos ou por percentual sobre a energia gerada, modelo de remuneração que varia bastante conforme a negociação específica entre proprietário e empresa interessada naquele momento.

Parajara Moraes Alves Junior
Parajara Moraes Alves Junior

Parajara Moraes Alves Junior explica que produtores costumam negociar essas condições sem comparação adequada com outros contratos já praticados na própria região, aceitando valores abaixo do mercado simplesmente por desconhecerem referências de preço para esse tipo específico de negociação envolvendo energia renovável. Comparar propostas de outras propriedades da região, antes de aceitar a primeira oferta, costuma trazer poder de negociação real ao produtor.

O que acontece com a área ao final do contrato?

Contratos bem redigidos preveem obrigação da empresa de remover os equipamentos e restaurar a área ao estado original ao término do prazo contratual, cláusula essencial para que o proprietário não fique com estrutura abandonada em sua propriedade caso a empresa encerre suas atividades naquela localidade específica.

Essa previsão de desmobilização, como costuma alertar Parajara Moraes Alves Junior a produtores que negociam esse tipo de contrato, precisa vir acompanhada de garantia financeira concreta e verificável, já que empresas podem encerrar operações ou entrar em dificuldade financeira antes de cumprir essa obrigação de restauração da terra. Sem essa garantia, o proprietário pode acabar herdando um problema físico e financeiro que não era dele para começar.

Quais cuidados tomar antes de assinar esse tipo de contrato

Buscar avaliação técnica sobre o valor justo da remuneração, verificar cláusulas de reajuste ao longo do prazo contratual e exigir garantias claras sobre desmobilização e restauração da área representam cuidados essenciais antes de comprometer parte significativa da propriedade por período tão extenso de tempo.

Em síntese, Parajara Moraes Alves Junior aponta ser essencial ir atrás de apoio jurídico especializado em contratos dessa natureza específica, já que a maioria dos produtores nunca havia negociado prazo tão longo antes e pode subestimar o impacto de uma cláusula mal redigida ao longo de décadas de vigência.