O ambiente digital ampliou o acesso a produtos, serviços, crédito e entretenimento, mas também trouxe novos riscos para os consumidores. Golpes praticados com inteligência artificial, publicidade feita por influenciadores, compras por impulso, marketplaces e apostas on-line estiveram entre os temas discutidos pelo Procon do Ministério Público de Minas Gerais (Procon-MPMG) durante atividades realizadas em Belo Horizonte.
A programação ocorreu em 10 de setembro de 2026, como parte da Semana do Ministério Público, e foi voltada à educação financeira e ao consumo consciente. No dia seguinte, o Ministério Público de Minas Gerais divulgou informações sobre as ações, que reuniram jovens e consumidores em situação de superendividamento.
Golpes e publicidade exigem atenção no consumo digital
Durante as atividades com jovens, o Procon-MPMG abordou situações comuns nas relações de consumo pela internet. A discussão incluiu a influência de anúncios direcionados, a atuação de criadores de conteúdo, as ofertas apresentadas em plataformas digitais e os cuidados necessários antes de comprar em marketplaces.
O uso de ferramentas de inteligência artificial também foi tratado como um fator que pode aumentar a sofisticação dos golpes. Imagens, vozes e mensagens produzidas ou modificadas digitalmente podem dificultar a identificação de uma fraude. Por isso, ofertas muito vantajosas, pedidos urgentes de pagamento e contatos que solicitam dados pessoais ou bancários devem ser analisados com cautela.
Outro ponto destacado foi a publicidade nas redes sociais. A recomendação de um influenciador ou a aparência profissional de uma página não garantem, por si só, a segurança da oferta. Antes de contratar ou comprar, o consumidor deve conferir quem é o fornecedor, verificar os canais oficiais e desconfiar de links recebidos por mensagens que pressionem por uma decisão imediata.
Bets e crédito podem pressionar o orçamento
As apostas on-line também fizeram parte dos debates do Procon-MPMG. A facilidade de acesso por celular, a exposição frequente a anúncios e a promessa de ganhos rápidos podem estimular decisões impulsivas e comprometer o orçamento. A atenção deve ser redobrada quando a atividade passa a ser tratada como forma de renda ou quando leva à contratação de empréstimos para continuar apostando.
A programação ainda incluiu uma oficina destinada a consumidores em situação de superendividamento. O encontro apresentou orientações sobre planejamento financeiro, controle de gastos, formação de poupança e contratação de empréstimos. A proposta foi ajudar os participantes a compreender melhor os compromissos assumidos e a organizar as despesas antes de buscar novo crédito.
Segundo dados citados pelo MPMG, 82% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida em julho de 2026. No mesmo contexto, a Serasa registrava 83,9 milhões de pessoas inadimplentes. Os números ajudam a dimensionar a pressão sobre o orçamento doméstico e reforçam a importância de iniciativas de educação financeira em Minas Gerais e em outras regiões do país.
Direitos continuam válidos nas compras pela internet
O fato de uma contratação ocorrer por aplicativo, rede social, site ou plataforma não elimina os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor. Esse foi um dos pontos tratados no módulo sobre os desafios do consumidor na era digital, realizado e divulgado em 11 de setembro de 2026 pelo Ministério Público de Minas Gerais.
Na prática, o consumidor deve guardar comprovantes de pagamento, anúncios, conversas e demais registros da contratação. Essas informações podem ajudar na contestação de uma cobrança, na comunicação de uma fraude ou na busca por atendimento. Também é importante ler as condições da oferta, conferir valores, prazos e encargos e identificar corretamente o fornecedor antes de concluir a operação.
Em caso de suspeita de golpe, a orientação inicial é interromper o contato, evitar novos pagamentos e preservar as provas disponíveis. Se houver envolvimento de conta bancária ou cartão, o consumidor deve procurar a instituição financeira pelos canais oficiais. Situações de conflito ou dúvida podem ser encaminhadas aos órgãos de defesa do consumidor.
Como reduzir riscos antes de comprar ou contratar
Uma medida simples é evitar decisões tomadas sob pressão. Desconfie de descontos fora do padrão, mensagens que exigem transferência imediata e promessas de retorno garantido. Senhas, códigos de autenticação e dados bancários também não devem ser compartilhados em respostas a contatos inesperados, mesmo quando a mensagem utiliza nomes, imagens ou vozes aparentemente conhecidas.
O planejamento financeiro é igualmente importante. Antes de assumir uma parcela, contratar empréstimo ou realizar uma aposta, o consumidor deve verificar se a despesa cabe no orçamento e quais serão os efeitos sobre os compromissos já existentes. O alerta do Procon-MPMG reforça que informação, cautela e acompanhamento dos gastos são ferramentas essenciais para reduzir prejuízos no consumo digital.