A reforma tributária já saiu do papel. Na avaliação de Marcio Alaor de Araujo, empresário com foco em resultados, o tema não deve ser tratado como exclusivo da contabilidade, porque afeta preços, contratos e decisões estratégicas até 2033. Em 2026, a CBS e o IBS passaram a aparecer nas notas fiscais com alíquotas simbólicas de 0,9% e 0,1%, e em 2027 a CBS começa a ser cobrada no lugar do PIS e da Cofins.
Uma transição longa e complexa
A reforma substitui gradualmente cinco tributos sobre o consumo por um modelo dual, com a CBS, de competência federal, e o IBS, compartilhado entre estados e municípios. A transição se estende até 2033, quando ICMS e ISS deixam de existir. Durante vários anos, as empresas vão conviver com os dois sistemas ao mesmo tempo, com regras e obrigações distintas.
A convivência aumenta a complexidade operacional. Sistemas de emissão de notas, cadastros de produtos, rotinas de apuração e controles internos precisam ser adaptados. Empresas que deixarem a preparação dos sistemas e das equipes para a última hora correm o risco de erros, multas e dificuldades para aproveitar os créditos previstos no novo modelo.
Impacto sobre preços e margens
A mudança na forma de tributação altera a carga efetiva de diferentes produtos e serviços. Alguns setores tendem a pagar mais, enquanto outros podem ter redução. A possibilidade de aproveitar créditos ao longo da cadeia também muda o custo real de insumos e serviços contratados.
Conforme detalha Marcio Alaor de Araujo, revisar a formação de preços com base nas novas regras é uma das tarefas mais urgentes. Empresas que não recalcularem custos e margens podem perder competitividade ou deixar de capturar benefícios. Simulações com diferentes cenários de alíquotas ajudam a antecipar os efeitos sobre o resultado e a orientar negociações comerciais.

Contratos e cadeia de fornecedores
Contratos de longo prazo firmados antes da reforma podem não prever os efeitos das novas regras sobre preços e responsabilidades tributárias. Revisar cláusulas de reajuste e de repasse de tributos evita disputas com clientes e fornecedores ao longo da transição.
A escolha de fornecedores também ganha nova dimensão. Como o aproveitamento de créditos depende do recolhimento correto ao longo da cadeia, a regularidade fiscal e a capacidade de adaptação dos parceiros comerciais passam a influenciar diretamente o custo final. Mapear a cadeia e conversar com fornecedores estratégicos é uma medida preventiva que reduz surpresas ao longo da transição.
Reforma tributária no planejamento estratégico
A tendência é que a reforma tributária passe a influenciar decisões que vão além da área fiscal. A localização de unidades, antes orientada por incentivos estaduais, tende a ser reavaliada com a cobrança no destino. Investimentos, estrutura societária e modelos de negócio também podem ser afetados.
Como reforça Marcio Alaor de Araujo, incluir o tema no planejamento estratégico permite transformar uma obrigação em oportunidade. Empresas que entendem os efeitos da reforma sobre seu setor podem ajustar o portfólio, renegociar contratos e rever a estrutura de custos antes dos concorrentes, ganhando vantagem durante a transição.
Preparar a empresa para o novo sistema
A preparação exige trabalho conjunto entre as áreas fiscal, financeira, comercial, de compras e de tecnologia. Um comitê interno, com responsáveis definidos e cronograma de adaptação, ajuda a coordenar as ações e a acompanhar as regulamentações que ainda serão publicadas.
Na compreensão de Marcio Alaor de Araujo, a reforma tributária é também uma questão de gestão de risco. A liderança precisa acompanhar o tema de perto, avaliar os impactos com regularidade e garantir que a empresa esteja preparada para cada etapa. A antecipação reduz incertezas e protege os resultados durante um período de mudanças profundas.