Tecnologia entra em campo para reduzir falhas nas redes de saneamento

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez Notícias
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EBS Empresa Brasileira De Saneamento Ltda

No setor em que a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento se enquadra, a transformação digital avança em ritmo acelerado, impulsionada por sensores, inteligência artificial e sistemas de gestão cada vez mais sofisticados, um retrato da inovação tecnológica que vem remodelando o saneamento básico brasileiro. O que antes se limitava a leituras manuais de hidrômetros e inspeções visuais em campo começa a dar lugar a plataformas que acompanham o funcionamento das redes em tempo real.

Investimentos em infraestrutura no Brasil somaram cerca de R$ 197 bilhões em 2024, valor ainda distante do patamar considerado ideal para o país, mas com o saneamento básico entre os setores que mais têm recebido aportes voltados à modernização tecnológica nos últimos anos.

O que é o chamado Saneamento 4.0?

O termo reúne a combinação de internet das coisas, inteligência artificial, big data, computação em nuvem e gêmeos digitais aplicados à gestão de água e esgoto. Na prática, esses recursos permitem que ativos físicos, como tubulações, estações de tratamento e reservatórios, passem a ser geridos com base em dados, e não apenas em rotinas de inspeção programadas com meses de antecedência.

Esse tipo de gestão orientada a dados também facilita a identificação de riscos de rompimento em redes de água e esgoto antes que o problema efetivamente ocorra. Ao cruzar informações de pressão, vazão e idade das tubulações, algoritmos conseguem apontar trechos com maior probabilidade de falha, permitindo priorizar obras de manutenção nos pontos mais críticos em vez de depender exclusivamente de vistorias periódicas.

Representantes de empresas do setor, como da EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, costumam descrever esse movimento como um salto de maturidade operacional, decorrente da maior disponibilidade de dados em tempo real sobre o funcionamento das redes e das estações de tratamento.

Manutenção preditiva transforma a gestão de redes e estações

Historicamente, a manutenção de equipamentos de saneamento seguia lógica corretiva, agir somente depois da falha, ou preventiva, baseada em calendários fixos de revisão. A manutenção preditiva muda essa lógica ao usar sensores e algoritmos para identificar sinais de desgaste antes que um equipamento efetivamente pare de funcionar.

Vista sob a perspectiva de quem acompanha inovação no setor, incluindo especialistas ligados à EBS, a manutenção preditiva representa uma das mudanças mais relevantes na forma de operar estações e redes, ao reduzir paradas não programadas e prolongar a vida útil de bombas, motores e demais equipamentos críticos.

EBS Empresa Brasileira De Saneamento Ltda
EBS Empresa Brasileira De Saneamento Ltda

Gêmeos digitais simulam cenários antes da obra real

Gêmeos digitais são modelos virtuais que reproduzem o comportamento de sistemas físicos em tempo real, permitindo simular diferentes cenários de operação antes de qualquer intervenção física. Em estações de tratamento, essa tecnologia auxilia, por exemplo, na definição da dosagem de produtos químicos e no controle de processos biológicos, ajudando a prever variações na qualidade da água bruta antes que afetem o produto final entregue à população.

A simulação de cenários também ajuda equipes de planejamento a testar o impacto de novas ligações, expansões de bairro ou eventos de consumo atípico sobre a rede existente, sem precisar esperar que o problema apareça na prática. Esse tipo de planejamento antecipado tende a reduzir o número de intervenções de emergência, que costumam ser mais caras e mais disruptivas para a população do que obras programadas com antecedência.

Esse tipo de solução também ganha espaço entre companhias do setor, caso da EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, que veem na simulação digital uma forma de testar cenários antes de intervir fisicamente nas redes, reduzindo custos e riscos operacionais associados a obras de grande porte.

Limites e desafios da digitalização no setor

A adoção dessas tecnologias, porém, ainda é desigual entre grandes operadores e pequenos municípios. Prestadoras de maior porte costumam ter capital e equipe técnica para investir em sensores, plataformas de dados e treinamento de pessoal, enquanto administrações menores seguem dependendo de processos manuais, o que amplia a distância tecnológica dentro do próprio setor de saneamento.

A conectividade crescente das redes também traz um desafio adicional: a segurança da informação. Sistemas de controle industrial conectados à internet ficam mais expostos a falhas de segurança e a incidentes cibernéticos, o que exige investimento paralelo em proteção de dados e treinamento das equipes responsáveis pela operação desses sistemas.

Reduzir essa desigualdade tecnológica deve exigir tanto linhas de financiamento específicas quanto programas de capacitação voltados a prestadoras de menor porte, sob risco de o país consolidar dois ritmos distintos de modernização dentro do próprio setor de saneamento.

A tendência é que tecnologias como essas deixem de ser diferencial competitivo e passem a compor o padrão mínimo de operação exigido por reguladores e pela própria população nos próximos anos. Organizações do setor, entre elas a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, devem seguir de olho nesse processo de digitalização, ainda em estágio inicial na maior parte do país.