Temporal provoca queda de energia para mais de 120 mil pessoas e bloqueia trecho da BR-381, afetando o trânsito e a rotina de moradores no Vale do Aço.
Minas Gerais voltou a enfrentar um episódio severo de instabilidade climática nesta semana, com o temporal que atingiu Ipatinga e outras cidades do Vale do Aço na noite de quarta-feira (16/9) provocando estragos que se estenderam até a manhã seguinte. A força da chuva, associada a granizo e rajadas de vento que chegaram a 76,2 km/h, deixou marcas visíveis em diferentes pontos da cidade e obrigou o poder público a agir rapidamente para conter os danos. O episódio reforça um padrão observado em Minas Gerais neste mês de setembro, marcado por volumes de precipitação bem acima da média histórica em várias regiões do estado.
De acordo com a Prefeitura de Ipatinga, em apenas uma hora foram registrados 38,8 milímetros de chuva acumulada, um volume expressivo para um intervalo tão curto. A intensidade do temporal levou a administração municipal a suspender as atividades em quatro escolas da rede pública nesta quinta-feira (17/9): a Escola Municipal Padre Bertollo, a Escola Municipal Pato Donald, a Escola Municipal Infantil 07 de Outubro e a Escola Municipal Carlos Drummond de Andrade. Segundo nota divulgada pelo executivo municipal, a paralisação temporária foi necessária para que equipes pudessem realizar serviços de segurança antes da retomada das aulas, garantindo a integridade de alunos, professores e funcionários.
A rodovia BR-381, no sentido Governador Valadares, foi um dos pontos mais atingidos pelo temporal. Árvores e postes caídos obstruíram a via, exigindo mobilização conjunta entre a Defesa Civil de Ipatinga e a concessionária responsável pela administração da rodovia para liberar o tráfego e reforçar a sinalização no trecho. Apesar da gravidade dos estragos materiais, a Defesa Civil informou que, até as 23h30 de quarta-feira, não havia registro de ocorrências graves ou vítimas relacionadas ao temporal, um dado que trouxe algum alívio em meio ao cenário de destruição parcial da infraestrutura urbana.
Energia elétrica afetada em larga escala
Um dos impactos mais sentidos pela população foi a interrupção no fornecimento de energia elétrica. Segundo informações repassadas pela Defesa Civil de Ipatinga com base em dados da Cemig, mais de 120 mil consumidores ficaram sem luz na região do Vale do Aço em consequência direta do temporal. Esse número evidencia a dimensão do estrago causado pelas rajadas de vento, que derrubaram estruturas de sustentação da rede elétrica em diversos bairros e ao longo da rodovia federal que corta a região.
A recomendação das autoridades locais para a população seguiu o protocolo padrão em situações de temporal: evitar áreas de risco, não tentar atravessar vias com acúmulo de água e manter distância de árvores, postes e fiações elétricas expostas. Esse tipo de orientação ganha relevância especial em cidades atingidas por rajadas de vento tão intensas, já que a queda de estruturas elétricas representa risco imediato de choque e outros acidentes graves para moradores que circulam pelas ruas durante ou logo após o temporal.
O episódio em Ipatinga não foi isolado. Cidades vizinhas também sofreram com a mesma frente de instabilidade, incluindo Diamantina, que registrou um forte temporal de granizo na mesma data e levou a prefeitura local a mobilizar uma força-tarefa para atender a população afetada. Em Nova Lima, na Grande BH, o risco climático teve outro desdobramento: a Defesa Civil municipal interditou casas por risco de desabamento após dias de chuva intensa, medida preventiva que reflete a preocupação das autoridades com encostas e estruturas fragilizadas pelo excesso de água acumulada no solo.
Setembro consolida padrão de chuvas acima da média em Minas
Os dados divulgados pela Defesa Civil de Belo Horizonte ajudam a dimensionar a magnitude do fenômeno que atinge o estado neste mês. Até a manhã de quarta-feira (16/9), a capital mineira já acumulava volumes de chuva acima do esperado para todo o mês de setembro em seis das dez regiões monitoradas. O caso mais extremo foi registrado no Barreiro, que somou 226,3 milímetros, equivalente a 460% do volume historicamente esperado para o mês inteiro, ainda no meio de setembro. Na sequência aparecem a região Oeste, com 193,1% da média, e a Noroeste, com 150,8%.
Esse padrão de instabilidade se explica, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), por um cenário mais amplo de chuva acima da média histórica que atinge diversas áreas do Sudeste brasileiro neste mês de setembro. Em Belo Horizonte, mesmo com dias de calor intenso, como a máxima de 30,7°C registrada na estação da Pampulha na quarta-feira, a previsão seguiu indicando risco de novas pancadas de chuva durante a noite e a madrugada, um padrão de alternância entre calor e instabilidade que tem caracterizado o mês em boa parte do estado.
A combinação entre temperaturas elevadas durante o dia e formação de temporais à noite tem se tornado uma característica recorrente do clima mineiro neste período do ano, alimentando alertas frequentes emitidos pela Defesa Civil estadual e municipal. Moradores de regiões historicamente mais vulneráveis a alagamentos e deslizamentos, como o Barreiro em Belo Horizonte e áreas de encosta em Nova Lima, têm sido orientados a redobrar a atenção, especialmente durante o período noturno, quando a maior parte dos temporais mais intensos tem se formado neste mês.
Fontes:
- https://www.otempo.com.br/cidades/2026/9/17/temporal-em-ipatinga-escolas-municipais-cancelam-aulas-nesta-quinta-feira-17-9
- https://www.otempo.com.br/cidades/2026/9/16/bh-registra-calor-de-30-7-c-e-pode-ter-chuva-durante-a-noite-e-a-madrugada
- https://www.otempo.com.br/cidades/2026/9/16/por-risco-de-desabamento-casas-sao-interditadas-pela-defesa-civil-em-nova-lima
- https://www.otempo.com.br/cidades/2026/9/16/video-diamantina-e-castigada-com-temporal-de-granizo-prefeitura-mobiliza-forca-tarefa