Flávio Bolsonaro tenta manter direita unida em Minas após confirmação de dois palanques

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez Política
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Candidaturas de Flávio Roscoe, pelo PL, e Cleitinho Azevedo, pelo Republicanos, criam dois polos no campo da direita em Minas; estratégia da campanha presidencial é evitar confronto entre aliados e preservar eventual composição no segundo turno

A confirmação das candidaturas de Flávio Roscoe (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas Gerais colocou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) diante de uma situação incomum no segundo maior colégio eleitoral do país. Com dois candidatos identificados com setores da direita disputando o Palácio Tiradentes, a estratégia passa por evitar um confronto que possa dificultar uma futura união política.

O cenário ganhou contornos definitivos depois que o Republicanos oficializou Cleitinho na disputa pelo governo mineiro, em 7 de agosto. No dia seguinte, o diretório estadual do PL confirmou que manteria Roscoe como candidato, mesmo diante da entrada do senador na eleição. (Poder360)

Dois candidatos disputam espaço na direita mineira

Roscoe, empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), tornou-se a alternativa do PL depois de meses de indefinição em torno de Cleitinho.

Durante parte da pré-campanha, dirigentes do PL consideraram apoiar o senador do Republicanos. A demora para uma definição, entretanto, levou o partido de Flávio Bolsonaro a construir uma candidatura própria. Em junho, integrantes da legenda ainda afirmavam que Cleitinho era a principal aposta para o governo e que Roscoe poderia ser lançado caso o senador não entrasse na disputa. (Folha de S.Paulo)

Com Cleitinho finalmente candidato e o PL decidido a não retirar Roscoe, os dois passaram a disputar votos em segmentos parcialmente semelhantes do eleitorado.

A própria campanha presidencial tenta impedir que essa concorrência estadual se transforme em rompimento político. Segundo reportagem publicada nesta sexta-feira, 14 de agosto, a estratégia é preservar o relacionamento com Cleitinho enquanto Roscoe funciona como o palanque formal do PL no estado. (Gazeta do Povo)

PL retirou apoio formal a Cleitinho

A mudança na estratégia ficou evidente antes mesmo da oficialização das duas candidaturas.

Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, anunciou em 6 de agosto que o partido havia retirado o apoio à candidatura de Cleitinho ao governo mineiro. A decisão ocorreu em meio à demora do Republicanos e do próprio senador em definir os rumos da eleição estadual. (Congresso em Foco)

Pouco depois, o PL confirmou Roscoe como seu candidato.

A escolha assegurou a Flávio Bolsonaro uma estrutura partidária própria em Minas, algo considerado estratégico devido ao peso eleitoral do estado na corrida presidencial.

Cleitinho, entretanto, não rompeu politicamente com o presidenciável do PL. Essa relação ajuda a explicar por que a campanha nacional procura administrar cuidadosamente a existência dos dois palanques.

Cleitinho admite consequências da demora

O próprio Cleitinho reconheceu nesta semana que a indefinição sobre sua candidatura teve consequências políticas.

Em entrevista ao UOL News em 12 de agosto, o senador afirmou que acabou perdendo apoios e espaço político durante o período em que ainda avaliava se concorreria ao governo. Enquanto a decisão não vinha, o PL avançou com a candidatura de Roscoe. (UOL Notícias)

Cleitinho afirmou que pretende conduzir uma campanha independente em Minas e deixou aberta a possibilidade de diálogo com quem vencer a eleição presidencial.

O movimento reforça uma característica particular da disputa mineira: embora Roscoe e Cleitinho sejam adversários na eleição estadual, as relações políticas nacionais não necessariamente seguem a mesma divisão.

Roscoe diz que não entrou para confrontar Cleitinho

Roscoe também procura reduzir a percepção de conflito.

Depois da oficialização de sua candidatura, o empresário afirmou que não decidiu disputar o governo com a intenção de se contrapor a Cleitinho. Segundo ele, sua candidatura surgiu após as indefinições que marcaram as negociações anteriores entre os partidos.

O candidato do PL também confirmou uma chapa própria da legenda. (Folha de S.Paulo)

Para a vice, o partido escolheu Ellen Miziara, vereadora de Uberaba e presidente do PL Mulher em Minas Gerais. Ela é politicamente próxima de Michelle Bolsonaro. A definição consolidou a estrutura própria do PL para a eleição estadual. (UOL Notícias)

Minas é estratégica para a eleição presidencial

O esforço para evitar uma ruptura entre os grupos está diretamente relacionado à importância eleitoral de Minas Gerais.

O estado é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro, atrás apenas de São Paulo, e historicamente ocupa posição relevante nas estratégias das campanhas presidenciais.

Ainda durante a pré-campanha, Minas aparecia como um dos principais desafios para a montagem do palanque de Flávio Bolsonaro. Em junho, o PL ainda tentava definir qual candidato estadual ofereceria a estrutura mais competitiva para sua campanha presidencial. (Folha de S.Paulo)

A situação agora é diferente: em vez de não possuir um candidato claramente definido, o campo político próximo ao presidenciável convive com duas candidaturas.

Estratégia mira eventual segundo turno

A prioridade imediata da campanha de Flávio Bolsonaro é evitar uma guerra aberta entre Roscoe e Cleitinho.

Isso não significa eliminar a disputa. Os dois precisam conquistar votos para chegar ao segundo turno estadual e, portanto, naturalmente buscarão diferenciar suas propostas e trajetórias. A preocupação está em impedir que críticas eleitorais ultrapassem essa disputa e inviabilizem uma aproximação posterior.

A Gazeta do Povo informou nesta sexta-feira que a estratégia de Flávio é manter Roscoe como seu palanque partidário sem romper com Cleitinho, preservando a possibilidade de união caso apenas um deles avance ao segundo turno. (Gazeta do Povo)

Esse cálculo também pode ser importante para a eleição presidencial. Caso haja segundo turno nacional, a capacidade de reunir diferentes segmentos da direita mineira pode se tornar decisiva para ampliar a votação de Flávio no estado.

Cenário ainda pode mudar durante a campanha

Com as candidaturas definidas, começa uma nova etapa da disputa. Roscoe precisa ampliar seu nível de conhecimento entre os eleitores, enquanto Cleitinho tenta transformar sua exposição política acumulada como senador em vantagem eleitoral.

Ao mesmo tempo, ambos terão de administrar a relação com outras forças políticas de Minas e apresentar propostas para temas estaduais, incluindo situação fiscal, infraestrutura, segurança, saúde e desenvolvimento econômico.

Para Flávio Bolsonaro, o desafio será manter sua própria candidatura presidencial competitiva no estado sem transformar a disputa entre Roscoe e Cleitinho em uma escolha capaz de afastar definitivamente um dos grupos.

Assim, Minas Gerais chega ao início oficial da campanha de 2026 com dois palanques relevantes no campo da direita e uma estratégia nacional baseada mais na convivência do que na ruptura. O resultado dessa tentativa de conciliação dependerá do comportamento das campanhas nas próximas semanas e, principalmente, de quais candidatos conseguirão avançar na corrida pelo Palácio Tiradentes.

Fontes: Gazeta do Povo — reportagem de 14 de agosto sobre os dois palanques; Poder360 — PL mantém candidatura de Roscoe após confirmação de Cleitinho; Folha de S.Paulo — Roscoe fala sobre candidatura e relação com Cleitinho; UOL — Cleitinho comenta perda de palanque após indefinição.