Kalil acumula mais de R$ 233 mil em dívidas com a Prefeitura de BH e tema entra na campanha de 2026

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez Política
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Débitos envolvem principalmente IPTU e taxas municipais; quase 90% do valor já está judicializado, segundo dados obtidos junto à Secretaria de Fazenda.

O ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato ao Governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT), acumula mais de R$ 233 mil em débitos relacionados principalmente ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e à Taxa de Manutenção dos Cemitérios Municipais. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, pela Itatiaia, a partir de informações da Secretaria Municipal de Fazenda de Belo Horizonte. Do total identificado, R$ 12,6 mil estão inscritos em dívida ativa ainda não ajuizada e outros R$ 209,5 mil correspondem a débitos que já chegaram à Justiça. (Rádio Itatiaia)

O assunto ganha relevância adicional por surgir durante a campanha eleitoral de 2026, quando Kalil tenta novamente chegar ao Palácio Tiradentes. A dívida tributária do ex-prefeito não é um tema novo na política mineira e já apareceu em campanhas anteriores, inclusive quando ele disputou a Prefeitura de Belo Horizonte. Agora, a atualização dos valores tende a recolocar a questão no debate eleitoral, especialmente porque o candidato administrou a própria capital entre 2017 e 2022. Procurada pela reportagem que revelou os novos dados, a assessoria de Kalil informou que ele não se manifestaria sobre o caso. (Rádio Itatiaia)

De onde vêm os mais de R$ 233 mil em débitos atribuídos a Kalil?

A maior parcela está relacionada ao IPTU de imóveis vinculados ao ex-prefeito. Conforme os dados divulgados nesta quarta-feira, um imóvel localizado no bairro Braúnas, na região da Pampulha, concentra aproximadamente R$ 130 mil em débitos. Os valores são referentes a períodos entre 2001 e 2003 e, posteriormente, entre 2017 e 2026, sendo que a maior parte dessa dívida já está judicializada. (Rádio Itatiaia)

Outro débito relevante está relacionado a uma sala comercial localizada no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Nesse caso, são aproximadamente R$ 97,4 mil em IPTU não pago, referentes ao período entre 2004 e 2006. Segundo o levantamento, a totalidade dessa dívida já está judicializada, o que significa que existem procedimentos judiciais relacionados à cobrança dos valores. (Rádio Itatiaia)

A existência de uma dívida ativa não significa, por si só, uma condenação criminal ou impedimento eleitoral. Trata-se de obrigação tributária que pode ser objeto de cobrança administrativa ou judicial, dependendo do estágio de cada débito e das discussões existentes sobre sua origem. Por isso, é importante diferenciar a existência dos valores registrados pela administração municipal das consequências políticas que adversários ou eleitores poderão atribuir ao episódio durante a campanha.

O ponto politicamente mais sensível está justamente no histórico de Kalil à frente da Prefeitura de Belo Horizonte. Parte dos períodos relacionados aos débitos coincide com os anos em que ele administrou a capital. Essa circunstância já havia alimentado questionamentos em eleições anteriores e agora volta a ganhar visibilidade justamente quando o ex-prefeito busca assumir o comando do Governo de Minas Gerais.

Dívida de IPTU já provocou controvérsia em outras eleições

A discussão acompanha Alexandre Kalil há pelo menos uma década. Durante a campanha municipal de 2016, quando disputou pela primeira vez a Prefeitura de Belo Horizonte, o então candidato chegou a prometer que não assumiria o cargo sem resolver a pendência relacionada ao IPTU. O tema foi explorado por adversários naquele processo eleitoral e voltou a aparecer nos anos seguintes. (Rádio Itatiaia)

Em 2020, durante sua campanha pela reeleição, um levantamento mostrou que Kalil havia acumulado novos débitos mesmo enquanto exercia o mandato de prefeito. Naquele momento, o total divulgado chegava a aproximadamente R$ 243 mil, relacionado a diferentes imóveis. Reportagens da época apontavam que parte das dívidas vinha sendo acumulada desde 2001 e que novos valores surgiram entre 2017 e 2019. (GZH)

A situação também chegou à Câmara Municipal de Belo Horizonte. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito, conhecida como CPI do Abuso de Poder, investigou circunstâncias relacionadas à cobrança de IPTU envolvendo o ex-prefeito. O relatório final, aprovado em 2023, não encontrou elementos para responsabilizar ou indiciar Kalil, segundo a reportagem publicada nesta quarta-feira. A comissão, entretanto, apontou falhas, erros e possíveis omissões de servidores e recomendou o encaminhamento de documentação aos órgãos competentes. (Rádio Itatiaia)

Durante os trabalhos da CPI, vereadores também investigaram a localização de um imóvel associado a uma das controvérsias tributárias. A Câmara Municipal informou, em 2023, que técnicos da Prodabel haviam localizado uma área cuja identificação geográfica anteriormente havia sido apontada como um problema no processo de cobrança. O caso demonstra como a discussão tributária acabou ultrapassando o campo exclusivamente financeiro e ganhou dimensão política e administrativa em Belo Horizonte. (Câmara Municipal de Belo Horizonte)

Por que o caso pode ganhar peso nas eleições de Minas em 2026?

A divulgação ocorre em um momento especialmente sensível para Kalil porque ele está novamente em uma disputa pelo Governo de Minas. Questões envolvendo pagamento de impostos podem ser utilizadas por adversários para questionar candidatos sobre responsabilidade fiscal, cumprimento de obrigações e gestão de recursos públicos. Ao mesmo tempo, a existência dos débitos deve ser apresentada com seu contexto jurídico, evitando transformar uma cobrança tributária em uma conclusão que os documentos disponíveis não sustentam.

O patrimônio declarado pelo candidato também deve entrar nessa discussão. Segundo dados eleitorais citados pela Itatiaia, Kalil declarou aproximadamente R$ 5,94 milhões em bens em 2026, contra cerca de R$ 3,65 milhões declarados na eleição estadual de 2022. O aumento é de aproximadamente 62,6%, e parte relevante da diferença é atribuída a um apartamento recebido como herança, declarado em R$ 1,8 milhão. (Rádio Itatiaia)

Essa comparação tende a alimentar questionamentos políticos sobre a manutenção das dívidas diante do patrimônio declarado, mas não permite, isoladamente, concluir que os recursos declarados estejam disponíveis para quitar imediatamente os débitos. Em manifestações anteriores sobre o assunto, Kalil argumentou que alguns imóveis possuem outros proprietários e afirmou que a situação estava submetida aos procedimentos legais correspondentes. Em 2022, por exemplo, declarou publicamente que continuava devendo IPTU e relacionou parte da situação à existência de imóveis compartilhados com sócios. (Estado de Minas)

O episódio também oferece ao eleitor uma oportunidade para diferenciar fatos documentados de argumentos de campanha. O dado verificável é que registros da Secretaria Municipal de Fazenda apontam valores superiores a R$ 233 mil associados a IPTU e taxas municipais, com a maior parcela já judicializada. Também está documentado que o assunto possui histórico de controvérsia política e foi analisado anteriormente por uma CPI que não encontrou elementos para responsabilizar ou indiciar o ex-prefeito. (Rádio Itatiaia)

A partir de agora, a tendência é que adversários explorem o caso durante a corrida pelo Governo de Minas e cobrem explicações do candidato. A posição de Kalil também poderá ganhar importância caso ele decida detalhar a origem dos valores ou apresentar informações sobre eventuais contestações, pagamentos ou negociações. Por enquanto, sua assessoria optou por não comentar a atualização divulgada nesta quarta-feira. (Rádio Itatiaia)

Com a campanha estadual avançando, temas relacionados à trajetória administrativa dos candidatos devem ocupar espaço crescente no debate público. No caso de Kalil, uma controvérsia que começou antes mesmo de sua chegada à Prefeitura de Belo Horizonte reaparece dez anos depois em outra disputa eleitoral. Para o eleitor mineiro, acompanhar documentos oficiais, eventuais manifestações do candidato e o andamento das cobranças será fundamental para separar a disputa política dos fatos efetivamente comprovados.