Datafolha e Quaest divulgam levantamentos com Kalil e Patrus Ananias como principais adversários do senador na disputa de outubro
A corrida para o governo de Minas Gerais ganhou contornos mais definidos nas últimas semanas de agosto, com a divulgação de novas pesquisas eleitorais e o encerramento do prazo para registro de candidaturas junto à Justiça Eleitoral. Onze candidatos disputam o comando do estado no pleito de outubro, mas os institutos de pesquisa apontam o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança isolada do cenário, à frente de nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil e o deputado federal Patrus Ananias.
O prazo para o registro oficial das candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral terminou em 15 de agosto, às 19h, e a propaganda eleitoral no rádio e na televisão começou no dia seguinte. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, com 16,38 milhões de eleitores aptos a votar, o equivalente a 10,32% de todo o eleitorado brasileiro. O estado também é o que reúne o maior número de municípios do Brasil, com 853 cidades, o que confere ao resultado mineiro peso significativo tanto na disputa estadual quanto na eleição presidencial.
O que dizem as pesquisas mais recentes sobre a disputa
Um levantamento da Real Time Big Data, divulgado em 30 de julho, já apontava Cleitinho como líder isolado da corrida, com índices entre 36% e 38% nos três cenários testados no primeiro turno. O quadro foi reforçado por pesquisas mais recentes: o Datafolha ouviu 1.204 eleitores mineiros entre os dias 18 e 20 de agosto, em levantamento contratado pelo próprio instituto em parceria com a Rede Globo, enquanto a Quaest entrevistou 1.506 pessoas entre 21 e 24 de agosto, em pesquisa também contratada pela emissora, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Segundo o mapeamento de institutos de pesquisa realizado até 18 de agosto, Minas Gerais já havia registrado 26 levantamentos eleitorais no ano, conduzidos por 18 institutos diferentes, com custo total declarado de mais de R$ 2 milhões e previsão de quase 34 mil entrevistas ao longo do processo. O volume elevado de pesquisas reflete o peso eleitoral do estado e o interesse nacional em torno da disputa mineira, que também é vista como um termômetro para a eleição presidencial de outubro.
Quem são os principais nomes na disputa pelo Palácio da Liberdade
O atual governador do estado, Mateus Simões, disputa a reeleição pelo PSD, em chapa que reúne dez partidos, entre eles União Brasil, PP, Novo, Avante e Solidariedade. Nascido em Gurupi, no Tocantins, Simões assumiu o governo mineiro após a saída de Romeu Zema, que deixou o cargo em março para se dedicar à pré-campanha à Presidência da República. Antes de assumir o Executivo estadual, Simões foi secretário-geral de governo e vereador de Belo Horizonte.
Do outro lado do espectro político, o deputado federal Patrus Ananias, nascido em Bocaiúva, no norte de Minas, e um dos nomes mais experientes da disputa, aparece como o candidato de esquerda com maior força nas pesquisas, enquanto Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte e figura de grande popularidade na capital, tenta transformar sua rejeição relativamente baixa em votos suficientes para colocar o pleito em segundo turno. Completam a lista de candidatos nomes como Gustavo Galassi, que chegou a retirar a candidatura em 27 de agosto em favor de uma possível disputa de Aécio Neves pelo PSDB, além de Indira Xavier, única mulher entre os 11 concorrentes ao governo estadual.
Como a disputa mineira se conecta à corrida presidencial
A eleição para o governo de Minas Gerais não pode ser lida de forma isolada da disputa nacional. Romeu Zema, que governou o estado por dois mandatos e venceu a reeleição de 2022 com 56,18% dos votos no primeiro turno, agora concorre à Presidência da República, o que reforça o interesse de lideranças nacionais na disputa mineira. Também nesta linha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem intensificado a agenda de visitas ao estado nas últimas semanas, assim como o senador Flávio Bolsonaro, que esteve em Juiz de Fora e outras cidades mineiras em agosto, movimento que evidencia a disputa por espaço político em um dos estados mais decisivos do país.
Para o eleitor mineiro, a corrida eleitoral também envolve a disputa por duas vagas no Senado, com pesquisas indicando Marília Campos, do PT, na liderança das intenções de voto para uma das cadeiras, em um cenário de acirrada disputa pela segunda vaga entre outros seis candidatos, segundo o levantamento mais recente divulgado pela Quaest. O resultado da corrida ao Senado deve influenciar diretamente a composição de forças no Congresso Nacional a partir de 2027.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, e a possibilidade de um segundo turno em 25 de outubro caso nenhum candidato atinja a maioria dos votos válidos, a expectativa é de que novas pesquisas sejam divulgadas ao longo de setembro, à medida que a propaganda eleitoral avança e os candidatos intensificam a presença em rádio, TV e redes sociais. Até lá, o cenário aponta para uma disputa concentrada entre poucos nomes, com Cleitinho Azevedo mantendo vantagem nos levantamentos mais recentes, mas ainda sem garantia de vitória em primeiro turno.
Fontes:
- CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/quem-sao-os-candidatos-a-governador-de-minas-gerais-em-2026/
- Poder360: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/saiba-quem-sao-os-candidatos-ao-governo-de-minas-gerais-em-2026/
- Gazeta do Povo (Datafolha): https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/datafolha-governador-senador-minas-gerais-agosto-2026/
- Gazeta do Povo (Quaest): https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/quaest-governador-senador-minas-gerais-agosto-2026/