Minas Gerais tem intensificado os esforços para se firmar como um dos principais destinos brasileiros para investimentos em data centers, um mercado que cresce em ritmo acelerado no mundo todo por conta da expansão da inteligência artificial. A dúvida que orienta o debate técnico agora é bastante concreta: o estado tem infraestrutura elétrica suficiente para sustentar empreendimentos desse porte sem comprometer o fornecimento de energia para o restante da população e da indústria?
Como a Cemig está avaliando a capacidade elétrica do estado
Estudos conduzidos pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, por meio da Invest Minas, em parceria com a Companhia Energética de Minas Gerais, buscam justamente responder a essa pergunta. A Cemig analisou recentemente a viabilidade de fornecer energia para empreendimentos com demanda de até 100 megawatts em diferentes regiões do estado, identificando o Triângulo Mineiro, o Centro-Oeste, a Zona da Mata e a Região Metropolitana de Belo Horizonte como áreas com condições favoráveis para receber esse tipo de projeto.
O levantamento não se limitou à capacidade de geração de energia. Também foram considerados fatores como capacidade de conexão ao sistema elétrico, infraestrutura de telecomunicações disponível na região e proximidade dos principais mercados consumidores de dados, elementos que juntos determinam se uma área tem ou não condições reais de sediar um data center de grande porte. Segundo o governo estadual, o objetivo é reduzir incertezas para investidores e aumentar a competitividade de Minas Gerais frente a outros estados que também disputam esse mercado.
Por que o estado quer se consolidar como polo de data centers
O interesse de Minas Gerais não é recente. Em 2025, a Invest Minas lançou uma tese de investimentos voltada especificamente para o setor, e o estado já colhe resultados práticos dessa estratégia. Um exemplo é o parque de data centers em construção no município de Leopoldina, na Zona da Mata, fruto de parceria entre as empresas Supernova e Mapa Investimentos, que atraiu 300 milhões de reais em investimento privado e deve gerar mais de mil empregos diretos. O primeiro edifício do complexo, com capacidade de 60 megawatts, tem previsão de começar a operar ainda em 2026.
Outro caso é o da Century, empresa mineira de tecnologia que já opera um data center em Contagem, na Grande BH, e investe 150 milhões de reais em uma segunda unidade voltada especificamente para aplicações de inteligência artificial. Segundo o governo estadual, argumentos como matriz elétrica predominantemente renovável, mão de obra qualificada e proximidade com os dois maiores mercados consumidores do país colocam Minas Gerais em posição vantajosa nessa disputa, que também envolve estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Ceará.
Os desafios que ainda separam o potencial da concretização
Apesar do otimismo, o setor de data centers no Brasil enfrenta obstáculos estruturais que também afetam Minas Gerais. A carga tributária sobre equipamentos de tecnologia da informação é apontada por entidades do setor como um dos principais entraves, já que o ICMS chega a representar mais de 60% do custo desses projetos, tornando a implantação mais cara no país do que em concorrentes internacionais. A perda de validade do regime especial de tributação para data centers, batizado de Redata, no início deste ano, adicionou incerteza regulatória justamente em um momento de forte apetite de investidores globais pelo setor.
Ainda assim, o Ministério das Comunicações trabalha na estruturação de uma política nacional específica para o segmento, e estados como Minas Gerais têm buscado, no âmbito do Confaz, aprovar convênios que reduzam a alíquota de ICMS sobre equipamentos destinados a data centers. Para especialistas do setor, a combinação entre energia limpa, incentivos fiscais bem desenhados e segurança jurídica será determinante para que o potencial identificado nos estudos técnicos se traduza, de fato, em novos investimentos e empregos para Minas Gerais nos próximos anos.
Fontes: Diário do Comércio | Data Center Dynamics | Invest Minas | Brazil Economy