Minas Gerais se firma como polo de data centers e atrai novas gigantes da tecnologia

Daphne Vercelli
Por Daphne Vercelli Tecnologia
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Estado soma investimentos bilionários em centros de processamento de dados, expansão de multinacionais e fortalecimento de polos como o San Pedro Valley, em Belo Horizonte

Minas Gerais vem consolidando uma posição de destaque no mapa tecnológico do país, com uma sequência de anúncios que combina data centers, expansão de gigantes globais e crescimento do ecossistema de startups. O movimento é puxado tanto pela ação do governo estadual quanto pelo interesse crescente de multinacionais em instalar operações no estado, aproveitando a posição geográfica estratégica e a infraestrutura já consolidada em cidades como Belo Horizonte, Contagem e Betim.

Um dos exemplos mais recentes dessa movimentação é a chegada de novas plantas de processamento de dados ao território mineiro. Em junho, a empresa Century anunciou a construção do seu segundo data center no estado, em Contagem, um investimento de R$ 150 milhões que deve criar 57 empregos diretos, com obras previstas para começar ainda neste ano e operação prevista para 2026. Jornal da Cidade

Data centers e grandes empresas de tecnologia escolhem Minas

O interesse por infraestrutura digital no estado não para por aí. Três centros de processamento de dados já estão confirmados para operar em solo mineiro, sendo que o parque das empresas Supernova e Mapa, previsto para 2026, será o primeiro projeto de instalação desse tipo de centro no estado. Esse empreendimento está localizado em Leopoldina, na Zona da Mata mineira, e representa um investimento privado de R$ 300 milhões, com geração de 1,1 mil empregos diretos. Agência Minas GeraisAgência Minas Gerais

Além dos data centers, Minas também tem atraído a expansão de gigantes de tecnologia já consolidadas no mercado global. O Google, que chegou ao Brasil em 2005 e instalou em Belo Horizonte o primeiro centro de engenharia da América Latina e a primeira sede fora dos Estados Unidos, inaugurou a expansão de sua sede na capital mineira, no Boulevard Corporate Tower, no bairro Santa Efigênia, reforçando o compromisso da empresa com o estado. Agência Minas Gerais

Outra novidade de peso veio da Fiserv, empresa global de tecnologia financeira. A companhia inaugurou sua primeira fábrica fora da Ásia em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, prevendo a criação de cerca de 450 empregos diretos nos três primeiros anos de operação. O investimento contou com apoio do governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e da Invest Minas, que atuaram na articulação e no suporte às negociações. Terra Brasil NotíciasTerra Brasil Notícias

Polos tecnológicos consolidados dentro do estado

Minas Gerais também conta com regiões que já são referência nacional em tecnologia há mais tempo. Santa Rita de Sapucaí e Itajubá despontam como grandes polos tecnológicos do Brasil nos setores de automação, eletrônica e telecomunicações, enquanto a capital mineira se destaca pelo San Pedro Valley, ecossistema que reúne mais de 500 startups. Ao todo, o estado soma mais de 800 empresas apenas no segmento de licenciamento de software, número que evidencia a diversidade do setor dentro do território mineiro. Agência Minas GeraisAgência Minas Gerais

Esse ecossistema também tem se beneficiado de eventos voltados à conexão entre startups, investidores e grandes empresas. O Startup Summit 2026, um dos principais eventos de inovação da América Latina, registrou intenções de investimento superiores a R$ 350 milhões durante sua edição, com participação de startups de diferentes regiões de Minas, como Itajubá, Lavras, Santa Rita do Sapucaí, Pouso Alegre, Poços de Caldas, Varginha, Contagem e Divinópolis. O Sebrae Minas apoiou diretamente 17 startups mineiras expositoras na edição deste ano. ASN Minas GeraisASN Minas Gerais

O movimento de expansão industrial ligado à tecnologia também chegou ao Sul de Minas. Em agosto, foi anunciada a planta de operação da empresa mineira Sourei, em Varginha, região que já vinha se destacando na atração de negócios ligados à inovação e ao empreendedorismo dentro do estado. Jornal da Cidade

O que essa movimentação representa para Minas Gerais

A soma desses investimentos aponta para uma mudança relevante no perfil econômico de Minas Gerais, tradicionalmente associado à mineração e ao agronegócio, mas que agora ganha força também no setor de tecnologia e serviços digitais. A combinação entre infraestrutura de dados, presença de multinacionais e um ecossistema local de startups já consolidado coloca o estado em posição competitiva frente a outros polos tecnológicos do país.

Para o cidadão mineiro, esses investimentos se traduzem principalmente em geração de empregos qualificados e movimentação da economia local nas cidades onde os projetos são instalados, casos de Contagem, Betim, Leopoldina e Varginha. Já para o poder público estadual, a chegada dessas empresas reforça a estratégia de posicionar Minas Gerais como alternativa a São Paulo na atração de negócios ligados à inovação, um movimento que deve continuar sendo acompanhado de perto pelo setor produtivo mineiro nos próximos meses.

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